sábado, outubro 30, 2010

Facebook

Podem ver vídeos e conversar on-line sobre temas das aulas no Facebook num grupo que criei para a UC de Metodologia.


Os alunos de TCI também são convidados visto que há temas semelhantes, nomeadamente o debate sobre o que distingue a ciência de outros saberes.
Ver especialemente os vídeos sobre os níveis de consciência.

Ligação:
http://www.facebook.com/home.php?sk=group_162340640453635
Para entrar no grupo, terão de criar um perfil no Facebook.
Obrigado!

Programa e formas de avaliação UC: Tecnologia, Ciência e Inovação

Ficha de Unidade Curricular


Designação da UC: Tecnologia, Ciência e Inovação
Ano Lectivo: 2010/11

Docente(s):

José Pinheiro Neves


Créditos ECTS: 5

Métodos de Ensino:
Expositivo e aulas práticas/seminários


Métodos de Avaliação:

Dois mini-testes individuais (70%) e trabalho de pesquisa bibliográfica em grupo (20%), um mini-ensaio (10%).

Programa sucinto:
1ª Parte: Ciência e Tecnologia
1. Introdução aos estudos sociais da ciência e tecnologia: porque é que a ciência e a tecnologia interessam à sociologia?
2. A importância social da ciência e da tecnologia: o que faz da ciência uma forma especial de conhecimento?
3. Sócio-tecnologias: determinismo tecnológico e construção social da tecnologia.

2ª Parte: Tecnologia e Inovação
1. Introdução geral às duas grandes tendências no estudo sociológico da tecnologia e da inovação: a sociologia da inovação tecnológica e os estudos sociais da ciência e tecnologia.
2. Inovação e tecnologia: das teorias clássicas da inovação à abordagem sócio-técnica multicausal e multilinear


Programa detalhado:

1ª Parte:

  • Apresentação do programa, objectivos, regime de funcionamento e avaliação.
  • Porque é que a ciência e a tecnologia interessam à sociologia?
  • A importância social da ciência e da tecnologia: o que é que faz da ciência uma forma especial de conhecimento? Empiricismo, o critério de demarcação científica de K. Popper, normatividade em R. Merton e valores em T. Kuhn.
  • Sócio-tecnologias: determinismo tecnológico e construção social da tecnologia. Usos e interpretações da tecnologia: quem determina o quê?
  • Aplicações socio-técnicas e risco: modernidade, risco e regulação.
  • Ciência e políticas públicas: porque é que os Estados financiam a ciência? O papel dos peritos nos processos de decisão.

2ª Parte:

  • Introdução às grandes tendências no estudo sociológico da tecnologia e da inovação: a sociologia da inovação tecnológica e os estudos sociais da ciência e tecnologia.
  • Inovação e tecnologia. As teorias clássicas da inovação; visão clássica e neo-clássica (Schumpeter); a teoria da difusão.
  • O debate mais recente em torno do determinismo da técnica e do social na inovação (na economia, na história, na sociologia da comunicação e na sociologia do trabalho e das organizações).
  • Por uma abordagem sócio-técnica multicausal e multilinear. A filosofia da técnica: a indeterminação da relação entre objecto técnico e ser humano (Simondon e Stiegler). A antropologia da técnica. A sociologia da ciência e da técnica: o construtivismo social. A nova sociologia da técnica e da ciência [a tecnociência]: as redes sócio-técnicas. A proposta baseada na etnometodologia e no interaccionismo: os quadros de referência da acção e as suas modalidades (estratégica e táctica).

Principais resultados de aprendizagem:

1ª Parte:
  • Explicar a importância de estudar a ciência e tecnologia em sociedade;
  • Identificar os factores sociais de produção da ciência e tecnologia;
  • Caracterizar a autoridade científica;
  • Problematizar a relação entre desenvolvimento tecnológico e a ‘multiplicação’ do ‘risco’;
  • Compreender a relação Estados-nacionais / ciência.

2ª Parte:

  • Identificar e aplicar os principais conceitos da sociologia da inovação e da tecnologia;
  • Compreender a relação entre inovação social e inovação técnica;
  • Identificar os principais conceitos da perspectiva simétrica na análise de processos de inovação sócio-técnica;
  • Esboçar uma investigação social sobre processos de inovação tecnológica.

Bibliografia de base:
1ª Parte:
  • Nunes, João Arriscado e Gonçalves, M. Eduarda (2001) Enteados de Galileu? A semiperiferia no sistema mundial da ciência. Porto: Afrontamento.
  • Yearley, Steven (2005) Making Sense of Science – Understanding the Social Study of Science. Sage: London.
  • Yearley, Steven (1988), “The Status of Scientific Knowledge” in Science, Technology and Social Change. London: Unwin Hyman.
  • Bruce, Bimber (1990) “Karl Marx and the Three Faces of Technological Determinism”, Social Studies of Science, Vol. 20, No. 2., pp. 333-351.
  • Volti, Rudi (1992), “Technology and its Creators: Who’s in Charge of Whom?”, in Society and Technological Change. New York. St. Martin’s Press.
  • Pinch, Trevor J. & Bijker, Wiebe E (2001) [1987] “The Social Construction of Facts and Artifacts: Or How the Sociology of Science and the Sociology of Technology Might Benefit Each Other” in Wiebe, B., Hughes, Thomas P. & Pinch, T., The Social Construction of Technological Systems. Cambridge, London: The MIT Press.
•      Beck, Ulrich (1992) Cap. 1 (Parte 1) in Risk Society: Towards a New Modernity (London: Sage).
  • Gonçalves, M. E. (coord), Ciência e Democracia. Bertrand Editora: Venda Nova.

2ª Parte

  • Andrade, Thales de (2005), “Inovação e ciências sociais: em busca de novos referenciais”, Revista Brasileira de Ciências Sociais, Vol. 20 nº 58, São Paulo Junho.
  • Callon, Michel. (1987) "Society in the making: the study of technology as a tool for sociological analysis", in Wiebe Bijker et al. (eds.), The social construction of technological systems, Mass., Cambridge: MIT Press.
  • Flichy, Patrice. (1995) L'innovation technique. Paris: La Découverte.
  • Latour, Bruno. (1992) Aramis ou l'amour des techniques. Paris: La Découverte.
  • Simondon, Gilbert. (1969) Du mode d'existence des objets techniques. Paris: Aubier-Montaigne.
  • Stiegler, Bernard. (1998), Technics and time 1. Londres: Routledge.



Formas de contacto com os alunos:
José Pinheiro Neves: Aulas teóricas e práticas, horário de atendimento.

Horário de atendimento:
José Pinheiro Neves: Quarta-feira, 17-19.30h.

sexta-feira, outubro 22, 2010

"A saúde mental dos portugueses" - um exemplo de mini-ensaio

Um exemplo que vos pode ajudar para o mini-ensaio. Um texto bem escrito que alia a subjectividade a uma argumentação com alguma base científica. Sem ser aborrecido.


Transcrição do artigo do médico psiquiatra Pedro Afonso, publicado no Público, 2010-06-21


A saúde mental dos portugueses




Alguns dedicam-se obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas.

Recentemente, ficámos a saber, através do primeiro estudo epidemiológico nacional de Saúde Mental, que Portugal é o país da Europa com a maior prevalência de doenças mentais na população. No último ano, um em cada cinco portugueses sofreu de uma doença psiquiátrica (23%) e quase metade (43%) já teve uma destas perturbações durante a vida.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque assisto com impotência a uma sociedade perturbada e doente em que violência, urdida nos jogos e na televisão, faz parte da ração diária das crianças e adolescentes. Neste redil de insanidade, vejo jovens infantilizados incapazes de construírem um projecto de vida, escravos dos seus insaciáveis desejos e adulados por pais que satisfazem todos os seus caprichos, expiando uma culpa muitas vezes imaginária. Na escola, estes jovens adquiriram um estatuto de semideus, pois todos terão de fazer um esforço sobrenatural para lhes imprimirem a vontade de adquirir conhecimentos, ainda que estes não o desejem. É natural que assim seja, dado que a actual sociedade os inebria de direitos, criando-lhes a ilusão absurda de que podem ser mestres de si próprios.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque, nos últimos quinze anos, o divórcio quintuplicou, alcançando 60 divórcios por cada 100 casamentos (dados de 2008). As crises conjugais são também um reflexo das crises sociais. Se não houver vínculos estáveis entre seres humanos não existe uma sociedade forte, capaz de criar empresas sólidas e fomentar a prosperidade. Enquanto o legislador se entretém maquinalmente a produzir leis que entronizam o divórcio sem culpa, deparo-me com mulheres compungidas, reféns do estado de alma dos ex-cônjuges para lhes garantirem o pagamento da miserável pensão de alimentos.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque se torna cada vez mais difícil, para quem tem filhos, conciliar o trabalho e a família. Nas empresas, os directores insanos consideram que a presença prolongada no trabalho é sinónimo de maior compromisso e produtividade. Portanto é fácil perceber que, para quem perde cerca de três horas nas deslocações diárias entre o trabalho, a escola e a casa, seja difícil ter tempo para os filhos. Recordo o rosto de uma mãe marejado de lágrimas e com o coração dilacerado por andar tão cansada que quase se tornou impossível brincar com o seu filho de três anos.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque a taxa de desemprego em Portugal afecta mais de meio milhão de cidadãos. Tenho presenciado muitos casos de homens e mulheres que, humilhados pela falta de trabalho, se sentem rendidos e impotentes perante a maldição da pobreza. Observo as suas mãos, calejadas pelo trabalho manual, tornadas inúteis, segurando um papel encardido da Segurança Social.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque é difícil aceitar que alguém sobreviva dignamente com pouco mais de 600 euros por mês, enquanto outros, sem mérito e trabalho, se dedicam impunemente à actividade da pilhagem do erário público. Fito com assombro e complacência os olhos de revolta daqueles que estão cansados de escutar repetidamente que é necessário fazer mais sacrifícios quando já há muito foram dizimados pela praga da miséria.

Finalmente, interessa-me a saúde mental de alguns portugueses com responsabilidades governativas porque se dedicam obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas. Entretanto, com a sua displicência e inépcia, construíram um mecanismo oleado que vai inexoravelmente triturando as mentes sãs de um povo, criando condições sociais que favorecem uma decadência neuronal colectiva, multiplicando, deste modo, as doenças mentais.

E hesito em prescrever antidepressivos e ansiolíticos a quem tem o estômago vazio e a cabeça cheia de promessas de uma justiça que se há-de concretizar; e luto contra o demónio do desespero, mas sinto uma inquietação culposa diante destes rostos que me visitam diariamente.

Pedro Afonso
Médico psiquiatra

quarta-feira, outubro 20, 2010

Texto para a aula de 21 de Outubro de 2010

Ramfis Ayús Reyes, “Estudios sociales de ciencia y tecnología: merodeando en el campo” 
Disponível em:
http://www.oei.es/salactsi/ramfis.htm [consultado em 23 de Março de 2009].

Resumo:

El propósito general del escrito es ofrecer un panorama, incluyendo algunas reflexiones, sobre la conformación del campo de los estudios sociales de ciencia y tecnología. Propongo conducir esta revisión a partir de intentar comprender los entrecruzamientos epistémicos que han dado lugar a este campo de conocimientos a partir del fenómeno de la transversalidad de los saberes, o lo que ha dado en llamarse transdisciplinaridad.

En una primera parte, reviso conceptos y nociones fundamentales de ciencia que se expusieron en el primer capítulo del texto base de este ejercicio. 

En una segunda parte, me propongo aclarar el carácter de la transdisciplinaridad como proceso que arroja luz sobre lo que acontece cuando se innova en las ciencias sociales y humanas. 

A continuación, expongo cómo se ha constituido epistemológicamente el campo de los estudios sociales de la ciencia y la tecnología. En ambos tópicos, y en aras de la síntesis, la información se organiza a partir de una serie de cuadros sinópticos y grafos, los cuales persiguen, además, una intención didáctica. Recurrí a otras fuentes bibliohemerográficas como parte de la reconstrucción del itinerario de los estudios sociales de ciencia y tecnología.

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

Avaliações

Ver aqui as avaliações.


O exame de recurso será na 4ª feira, dia 10 de Fevereiro de 2010, 14 horas, Gualtar, Sala: Complexo 3 - 204.

(duração 2 h e 30 minutos)

terça-feira, fevereiro 02, 2010

Exame de Recurso

10-Fev 14H00 3204

10 de Fevereiro de 2010

14 horas (duração 2 h e 30 minutos)


sala: complexo 3 - 204

domingo, janeiro 31, 2010

Alteração da data do exame de recurso

Devido ao pouco tempo disponível para preparação, foi alterada a data do exame de recurso para o dia 10 de Fevereiro de 2010 em local e hora a designar neste blog e na secretaria do departamento (D. Ana Gonçalves - 253 604212).

Por este motivo, os resultados finais da avaliação serão colocados neste blog até ao próximo dia 3 de Fevereiro de 2010 (4ª feira).

quarta-feira, janeiro 27, 2010

Exemplo do trabalho de TCI do ano passado

Vejam com atenção o exemplo do trabalho prático de TCI do ano passado:

http://actor-rede.wikispaces.com/

terça-feira, janeiro 26, 2010

Data limite de entrega do Trabalho Prático: 6ª feira, 29 Janeiro de 2010

Data limite de entrega do TP

sexta-feira, dia 29 de Janeiro de 2010

A enviar por mail (jpneves2007@gmail.com) com a indicação no assunto da UC (Tecnologia, Ciência e Inovação), e os números de aluno. No corpo do mail, deverão indicar o site (cuidado com a indicação do site) com o título do trabalho e os elementos do grupo (nºs e nomes completos).

O prazo limite de envio do trabalho será a noite de 6ª feira. Irei fazer a avaliação durante o dia de sábado.

segunda-feira, janeiro 25, 2010

Outra dúvida em relação ao teste

Bom dia, Professor

Surgiram 2 dúvidas ao tentar responder às questões colocadas no blog.
Na 1ª questão (1 - Mostre, neste exemplo, a importância da passagem da noção de rede social de inovação, como uma área social de estudo, para a noção de rede como ligação sócio-técnica. Como sugestão de resposta, imagine duas propostas de investigação a partir do caso concreto do México) pede 2 propostas de investigação de acordo com o caso do México.
A minha dúvida é:
Uma proposta sobre a noção de rede social e outra sobre a rede socio-técnica?
Ou ambas sobre rede sócio-técnica?
Ao pedir proposta de investigação pretende uma questão de partida ou também objectivos e hipoteses? Ou é outro tipo de formulação?
Obrigada,
Cumprimentos,
Rafaela Granja

.................................................................................

RESPOSTAS

1. Uma proposta sobre a noção de rede social e outra sobre a rede socio-técnica?
Ou ambas sobre rede sócio-técnica?

Sim. Distinguir entre as duas (visão da REDE SOCIAL e visão da REDE SÓCIO-TÉCNICA) a partir dos textos fornecidos e das aulas.
2. Ao pedir proposta de investigação pretende uma questão de partida ou também objectivos e hipoteses? Ou é outro tipo de formulação?

Apenas exigo a questão inicial de investigação embora possa referir também a metodologia (ver o caso da Nicarágua descrito por John Law).

Formato do teste - esclarecimento de dúvidas

Questões:

Boa tarde Professor

Tenho algumas dúvidas sobre o teste. Muito sinceramente não consegui entender as questões. Não pude estar presente na última aula porque tive teste no mesmo horário.

1. Podemos levar os textos para consulta?

2. Aquelas questões são as do teste ou são apenas modelos?

3. São 3 questões ou é para escolher 2?

Estou mesmo muito confusa e não queria chegar amanhã com as mesmas dúvidas.

Peço imensa desculpa pelo incomodo e aguardo resposta,
Atenciosamente
Ana Raquel FerreiraOlá

Resposta:

Olá Raquel

1. Podemos levar os textos para consulta?
Sim pois o teste é de consulta.

2. Aquelas questões são as do teste ou são apenas modelos?

São modelos de questões embora as questões sejam. no essencial, muito semelhantes aos modelos.

3. São 3 questões ou é para escolher 2?

Podem escolher 2 questões de 3.

Saudações

O docente

José Pinheiro Neves



domingo, janeiro 24, 2010

Não haverá aula de esclarecimento de dúvidas

Devido a problemas de última hora, possivelmente não haverá aula de
esclarecimento de dúvidas marcada para 2ª feira ao fim da tarde.

Em sua substituição, o docente estará disponível nesse dia no Messenger MSN para esclarecimento de dúvidas através do mail:

fassuncao@hotmail.com e no Gmail no j.pinheiro.neves@gmail.com

Podem também utilizar o correio electrónico habitual.

Além disso, haverá uma sessão de esclarecimento de dúvidas a partir das 9 horas da manhã na sala onde decorrerá o teste.

(uma hora antes do teste).

Relembro que o teste decorre entre as 10h e as 12.30 , na próxima 3ª feira
26 Janeiro,na sala habitual de aulas.

sábado, janeiro 23, 2010

Questões para o teste

Este tipo de questões poderá aparecer no teste.

NOTA: No caso dos alunos ERASMUS, as questões serão em inglês e terão como fio condutor o texto de John Law (ver 1.).
Os alunos ERASMUS deverão ler com muita atenção os seguintes textos.

The ERASMUS students should read carefully these texts in english:
1. John Law, Traduction/Trahison - Notes on ANT (ver "Story one")
http://cseweb.ucsd.edu/~goguen/courses/175/stslaw.html;
2. Akrich, Madeleine. 1992. "The De-Scription of Technical Objects," in W. Bijker & J. Law, Shaping Technology/Building Society. Cambridge, Mass: MIT Press.
http://www-personal.umich.edu/~rfrost/courses/MatCult/content/Akrich.pdf
3. About Actor-Network Theory:

Questões para o teste (outros alunos não ERASMUS):

1 - Mostre, neste exemplo, a importância da passagem da noção de rede social de inovação, como uma área social de estudo, para a noção de rede como ligação sócio-técnica. Como sugestão de resposta, imagine duas propostas de investigação a partir do caso concreto do México.
Na resposta, utilizar o texto: Thales de Andrade, "Inovação tecnológica e meio ambiente: dando um passo acima", in http://www.anppas.org.br/encontro_anual/encontro2/GT/GT01/thales.pdf

Ver igualmente texto do docente "Da economia da inovação à inovação sóciotécnica:
a emergência de uma sociologia simétrica" em:
http://neves.do.sapo.pt/Neves_AISO_Venezuela_Set06.pdf

2 - Compare o exemplo de Law da rede da Nicarágua com o exemplo do México no que diz respeito aos processos de "tradução". Poderemos falar de uma transformação da rede no caso do México? Qual?

Na resposta, utilizar o texto:
John Law, Traduction/Trahison - Notes on ANT (ver "Story one")
http://cseweb.ucsd.edu/~goguen/courses/175/stslaw.html



3 - Imaginando que deveriam investigar este processo, e tendo em conta o caso do J. Law, qual seria a vossa questão de partida?

Ver: John Law, Traduction/Trahison - Notes on ANT (ver "Story one")
http://cseweb.ucsd.edu/~goguen/courses/175/stslaw.html
Ver também outros casos em:
Akrich, Madeleine. 1992. "The De-Scription of Technical Objects," in W. Bijker & J. Law, Shaping Technology/Building Society. Cambridge, Mass: MIT Press.
http://www-personal.umich.edu/~rfrost/courses/MatCult/content/Akrich.pdf



quarta-feira, janeiro 20, 2010

Tradução do texto de John Law - "Traduction/Trahison: Notes On ANT"

John Law, Traduction/Trahison: Notes On ANT, in http://www.lancaster.ac.uk/socioloy/stslaw2.html, Lancaster, Department of Sociology, 1997



Neste texto, Law pretende responder a uma aparente contradição da teoria do actor-rede. Assumindo a sua teoria como uma tradução, como resolver o problema da fidelidade que atravessa o discurso científico acerca do social. A resposta passa por acentuar o carácter de tradução que atravessa a teoria social, colocando em causa o seu carácter de "representação" verdadeira.
Para isso, debruça-se sobre três exemplos de estudos de caso que nos mostram, na prática, o rigor da teoria do actor-rede numa lógica quer de dispersão, quer de diáspora.

Primeiro estudo de caso

No primeiro caso, trata-se de um estudo sobre "transferência de tecnologia", realizada por uma ONG, entre a Suécia e a Nicarágua. A conclusão, um pouco paradoxal, sugere que "não existe essa coisa designada por 'transferência de tecnologia'. Que as tecnologias não surgem de um ponto e se espalham. Mas pelo contrário elas são passadas. Passam de mão em mão. E que quando passam, são transformadas. Tornam-se cada vez menos reconhecíveis" (Law, 1997: 2).

O processo consiste na transferência de uma máquina que permite aproveitar os resíduos da floresta para criar "briquettes". Uma investigadora descreve as negociações, as experiências.
A primeira negociação: que materiais de base [raw materials] utilizar? Depois de várias tentativas chega-se a uma conclusão: os restos das plantas do algodão [the stalks].
Na segunda ronda de negociações surgem dois novos actores: os proprietários das quintas e a peste do algodão. Os restos tinham de ser destruídos pelos proprietários por causa do perigo da peste. Mas, neste caso, era necessário recolher os restos. Ora, isso implicava trabalho e, talvez, uma nova máquina.
Terceira negociação: verifica-se que não existe mão-de-obra suficiente para recolher os restos. Como solução, importa-se uma máquina do Sudão que recolhe os restos do algodão.
Quarta: metade da planta está na raiz. Porque não aproveitar igualmente essas raízes para produzir "briquettes"? Uma nova máquina é construída a partir da versão sudanesa.
Quinta: a recolha só decorre 90 dias no ano, ao contrário do que sucede na Suécia em que nunca é interrompida. Será necessário armazenar os restos do algodão.
Sexta ronda de negociações. De repente, após dois anos de sucesso, os resíduos transformam-se em pó. O que teria acontecido? A razão é uma peste que ataca os restos. No entanto, uma dúvida se levanta: porque é que apenas no terceiro ano surge este problema. Resposta: as condições de armazenagem alteraram-se pois deixou de se compactar os restos o que permitiu a reprodução da peste - passou a existir ar entre os restos de algodão. A solução passou necessariamente por voltar a compactar.
Finalmente, a sétima negociação. Quem iria comprar os "briquettes"? Ao contrário da Suécia, não se encontravam indústrias que pudessem ser os consumidores deste produto. Contudo, encontrou-se um tipo de consumidor: os briquettes eram perfeitos PARA OS FORNOS DOMÉSTICOS. A partir daí, passaram a vender-se muito bem (Ibid.: 3).

Law, a partir deste caso, efectua alguns comentários.

Em primeiro lugar, este estudo integra-se perfeitamente na teoria do actor-rede. "Ela fala-nos de redes. De redes heterogéneas nas quais actores de todos os tipos, social, técnico e natural são feitos e jogam as suas vidas. Fala-nos de duas redes em particular, a sueca e a nicaraguense. Descreve estas duas redes e a forma como elas se ligam. Acentua o facto de as duas redes serem muito diferentes. A máquina de briquettes na Suécia relaciona-se com outras partes da rede sueca de uma forma determinada, mas isto não faz muito sentido em termos nicaraguenses. O que significa que, quando a máquina fosse "transferida", ela começaria a mudar. Ela começa a desempenhar diferentes papéis — mas também implica que os actores à volta se transformam: da madeira para o algodão; dos industriais para os "bakers" [padeiros]; de um fluxo contínuo para a necessidade de armazenar. Estas transformações implicaram mudanças na rede nicaraguense: nas fazendas; na maquinaria para lidar com os restos do algodão; nos hábitos dos consumidores. Portanto, trata-se de uma estória de redes em transformação, de novas sintaxes sócio-técnicas e, em particular, da inadequação de um modelo de difusão para a transferência de tecnologias. Porque a designada 'transferência" que aqui acontece é uma mudança. É uma translação. É uma criação de novas relações. Portanto, há mudança na Nicarágua, mas também há mudança naquilo que se transfere" (Ibid.: 3).
Esta descrição constitui um estudo exemplar no uso que faz da teoria do actor rede. Vejamos porquê.
Em primeiro lugar, trata-se de uma rede que assenta numa noção semiótica. Mas difere do estruturalismo porque não diz que a estrutura é algo assegurado à partida. Tanto as ligações como os nódulos terão de ser descobertos [uncovered] pois poderão ser diferentes daquilo que se espera.

Segundo: estamos perante redes heterogéneas compostas por elementos que são similares na sua relação com a rede: algodão ou agricultores, hábitos ou pestes, etc.

Terceiro lugar: todos estes actores quer os humanos, quer os não humanos são capazes de actuar.

Quarto: as redes podem ser imaginadas semioticamente como "instruções": uma máquina precreve o papel que ela, máquina, espera que os outros elementos da rede desempenhem.

Quinto: as redes e os nódulos necessitam de uma manutenção constante.

Sexto: as redes são processos ou realizações [achievements] mais do que relações ou estruturas.

Por fim, a translação/tradução é ao mesmo tempo similaridade e diferença. "Similaridade significa, aqui, que é possível dizer que a máquina "BRIQUETTE" na Nicarágua é "o mesmo" que a máquina "Briquette" na Suécia; mas também diferente porque quando passou a ser localizada no seu novo meio nicaraguense sofreu [has undergone] muitas mudanças" (Ibid.: 4).

Tradução de José Pinheiro Neves

domingo, dezembro 27, 2009

Aula de 15 Dezembro - Textos de apoio para o teste

Aula de 15 de Dezembro

Foi apresentado oralmente o caso a ser utilizado no teste com consulta de Janeiro de 2010.

É um caso de inovaçao tecnológica no México (será colocado no blog nos primeiros dias de Janeiro de 2010).

Para estudar este caso, iremos usar a mesma metodologia sugerida por J. Law no texto referido a seguir.

Textos de apoio:

John Law, Traduction/Trahison - Notes on ANT

(ver "Story one")

http://cseweb.ucsd.edu/~goguen/courses/175/stslaw.html

Ver também outros casos em:

Akrich, Madeleine. 1992. "The De-Scription of Technical Objects," in W. Bijker & J. Law, Shaping Technology/Building Society. Cambridge, Mass: MIT Press.

http://www-personal.umich.edu/~rfrost/courses/MatCult/content/Akrich.pdf


Textos de apoio para o teste:


O conceito de rede nas ciências SociaisBaseada no texto de Bruno Latour:Latour, Bruno (2003), "On Actor Network Theory: A few clarifications", in http://www.nettime.org/Lists-Archives/nettime-l-9801/msg00019.html, 5 de Março de 2003

Texto de Sílvia Portugal sobre o conceito de rede:http://www.ces.uc.pt/publicacoes/oficina/271/271.pdfTexto de José Pinheiro Neves - o conceito de rede na sociologia das organizações:http://neves.do.sapo.pt/Mexico2003.pdf

E um texto genérico sobre o conceito de rede:http://revista.ibict.br/pbcib/index.php/pbcib/article/view/956

Exemplos de investigações sobre redes


O exemplo do Automóvel Eléctrico (M. Callon):Michel Callon, "El proceso de construcción de la sociedad. El estudio de la tecnología como herramienta para el análisis sociológico", in Miquel Doménech e Francisco Javier Tirado (comps.), Sociología simétrica. Ensayos sobre ciencia, tecnologia y sociedad, Barcelona, Gedisa Editorial, 1998, pp. 143-170

Ver aqui um resumo da investigação em português:http://www.aps.pt/cms/docs_prv/docs/DPR492eb87f0c35e_1.pdf

E um outro resumo em espanhol:http://www.oei.es/revistactsi/numero5/articulo5.htm

Texto complementar de Bruno Latour publicado na revista Configurações CICS Univ. Minhohttp://www.scribd.com/doc/4414325/Bruno-Latour-

Ver finalmente uma entrevista com Bruno Latour em espanhol:

http://www.scribd.com/doc/8617525/Antonio-Arellano-H-La-sociologia-de-las-ciencias-y-tecnicas-en-todos-sus-estados-Bruno-Latour