quarta-feira, dezembro 17, 2008

Aulas nº 3

Aula nº3 - Exemplos de investigações sobre redes (Teoria do actor-rede)


1. O exemplo da transferência da tecnologia (J. Law):

John Law, Traduction/Trahison: Notes on ANT, in


http://www.lancs.ac.uk/fass/sociology/papers/law-traduction-trahison.pdf

, Lancaster, Department of Sociology, 1997 (ver "Story one" pp. 2-4)
2. O exemplo do Automóvel Eléctrico (M. Callon):

Michel Callon, "El proceso de construcción de la sociedad. El estudio de la tecnología como herramienta para el análisis sociológico", in Miquel Doménech e Francisco Javier Tirado (comps.), Sociología simétrica. Ensayos sobre ciencia, tecnologia y sociedad, Barcelona, Gedisa Editorial, 1998, pp. 143-170



Texto complementar de Bruno Latour publicado na revista Configurações CICS Univ. Minho

http://www.scribd.com/doc/4414325/Bruno-Latour-

segunda-feira, dezembro 01, 2008

Trabalho Prático da 2ª Parte - inscrições

Ciência, Tecnologia e Inovação

Trabalho Prático da 2ª Parte


Inscrições

A constituição dos grupos (até 3 elementos) deverá ser antecedida por uma inscrição.

Por favor, enviem essa inscrição até o dia 15 de Dezembro para jpneves2007@gmail.com os vossos nomes e a indicação do tema que escolheram. Aguardem a confirmação pelo professor.

Bibliografia:

OLIVEIRA, Luísa (2008), Sociologia da Inovação, Celta Editora: Oeiras


O trabalho consiste na criação de um e-portfolio e da sua apresentação na aula no mês de Janeiro de 2009 (20 minutos). O prazo limite de entrega é o dia do teste da 2ª parte. Para criar o e-portfolio, podem utilizar este site:

http://www.wikispaces.com/

O e-portfolio permite o trabalho cooperativo em torno de um tema ou objectivo tal como acontece na Wikipedia. De certa forma, é uma Wikipedia em miniatura. Vejam este exemplo de e-portfolio de uma turma de estudantes da Austrália:

https://australian-history.wikispaces.com/

Temas dos trabalhos baseiam-se nos capítulos do livro anterior :

Tema 1 A visão da economia – Teoria da difusão (com uma pequena pesquisa na WEB sobre o tema) Capítulo 2
Tema 2 A visão sociológica da teoria do Actor Rede (com uma pequena pesquisa na WEB sobre o tema)
Capítulo 3
Tema 3 Um exemplo da rede de inovação (deve-se também falar da teoria que foi utilizada e fazer uma pequena pesquisa na WEB)
Capítulo 5
Tema 4 Um exemplo da rede de inovação (deve-se também falar da teoria que foi utilizada e fazer uma pequena pesquisa na WEB) Capítulo 6

Grupos de trabalho:

Grupo Membros Nº Mecanográfico












segunda-feira, novembro 17, 2008

Texto a discutir na aula de 24 de Novembro de 2008

"2B OR NOT TO BE DIGITAL"

de Hervé Fischer

Ver em:

http://www.hervefischer.net/text_en.php?idt=5

domingo, novembro 16, 2008

Resumo do trabalho de grupo de auto-diagnóstico na aula de 10 de Novembro de 2008 -Trabalho Prático nº1 - O que é a inovação?

Tecnologia, Ciência e Inovação

Trabalho Prático nº1


1. O que é para nós a Inovação?

A Inovação consiste na novidade/renovação, fazer algo que nunca foi feito. A Inovação normalmente surge associada à Tecnologia.

A Inovação tem os seus criadores e os seus receptores, que podem ser activos ou passivos. Melhor dizendo, diferentes formas de apropriação da Inovação. Depois há diferentes quadros de utilização da Inovação propriamente dita.

O processo de Inovação não é linear, ou seja, pressupõem-se que um produto de Inovação também obedece a uma espécie de lei oferta/procura. Na óptica dos utilizadores constatamos precisamente que nem sempre um produto da Inovação tem aceitação por parte dos sujeitos sociais. Um exemplo disso é a fraca adesão à compra de faixas de músicas online e persistir o hábito das pessoas comprarem o álbum inteiro ou até mesmo a versão em vinil.

Um exemplo prático à pergunta do que é a Inovação poderá ser a comunidade virtual “Hi5”. Começou com o intuito de possibilitar contactos entre pessoas conhecidas e desconhecidas. Deste modo, prevalece a ideia da sociabilidade, do ser em conjunto, de estar junto. No entanto, devido ao progressivo aumento do número de utilizadores (80 milhões) deixou de ser apenas uma comunidade com uma função societal, mas passou a ter também uma função lúdica.


Alunos:

Diana Miranda

Raquel Valente

Vânia Ribeiro

Resumo do trabalho de grupo de auto-diagnóstico na aula de 10 de Novembro de 2008

Resumo do trabalho de grupo na aula de 10 de Novembro de 2008

"O que é a Inovação?

Quando se fala em inovação, cria-se uma ideia de mudança, algo de novo e diferente do anterior.

A inovação destaca-se por um conjunto de transformações violentas, entre um nível anterior e superior, geralmente com inovações introduzidas isoladamente.

Um bom exemplo de inovação é o surgimento da máquina a vapor em plena era industrial, que veio transformar drasticamente todo o sistema produtivo produzido até então.

A máquina veio condicionar em certa medida a posição humana no trabalho.

Permitiu aumentar a produtividade, relegando em certa medida, o homem para funções de controlo, essencialmente.

Esta inovação deu origem a novas orientações de trabalho ditando as regras da produtividade (cadência de produção, tempo necessário à tarefa, etc).

Neste contexto de inovação, somos (em geral) actores passivos, que nos limitamos a receber e introduzir nas nossas práticas as inovações técnicas que vão surgindo, adaptando os nossos comportamentos aos novos produtos que vão surgindo".

Texto enviado por Sandra Costa

Texto de base para a aula de 17 de Novembro de 2008

"A Inovação parece uma daquelas palavras mágicas, carentes de definição precisa e que são defendidas por grupos sociais os mais diversos. De forma semelhante a outros conceitos importantes das Ciências Sociais, como globalização e desenvolvimento sustentável, é um termo extremamente polissêmico e consensual (MACIEL, 1997).

Nos países avançados, essa problemática adentrou na agenda de diferentes setores como governos, corporações, universidades, centros de pesquisa e movimentos sociais. Desde os anos 80, os países da OCDE vêm alterando o padrão de apoio à indústria, incorporando medidas que integram a política de comércio internacional com a industrial e tecnológica. Ao invés de subvencionarem empresas através de contratos de P&D específicos e pontuais, os governos desses países passaram a criar condições para que a atividade produtiva se organize de forma sistêmica e integrativa (CASSIOLATO & LASTRES, 2000).


(...)


Ocorre que o tema da inovação tem se mantido estreitamente ligado a preocupações de ordem econômica, como competitividade, pressões da demanda e investimento.Alguns autores têm chamado atenção para o desafio premente de se incluir variáveis socioculturais nas avaliações e estudos sobre a implementação da inovação em contextos locais e nacionais (FLICHY, 1995; MACIEL, 1997).


As Ciências Sociais não estão inseridas tão fortemente nessa agenda de pesquisa, em comparação com a Economia e as Ciências Organizacionais. Desde seus fundadores, os cientistas sociais muitas vezes se ocuparam da problemática tecnológica, mas muitas vezes esquivando-se de debater o fenômeno técnico em si mesmo e a questão da inovação (FEENBERG, 1991).


Mais recentemente, os teóricos do risco social apontaram a crise das certezas do mundo contemporâneo, em que a contingência e a instabilidade das práticas tecnológicas repercutem diretamente na sociabilidade. O princípio de precaução e a desconfiança no desenvolvimento tecnológico vem adquirindo proeminência no pensamento social contemporâneo (BRUESEKE, 2002).


Nesse contexto de preocupações, desenvolveu-se uma ampla desconfiança em relações às promessas da inovação. A área ambiental é exatamente um exemplo de esfera que tem encontrado dificuldades em incorporar essa questão. A dimensão do risco social e a crítica às incertezas da modernidade impedem que a lógica da inovação interfira nos rumos do debate da sustentabilidade, fortemente marcado por uma desconfiança aos avanços tecnológicos.
[...]
O CONCEITO DE INOVAÇÃO TECNOLÓGICA

É possível apontar duas grandes tendências que se propuseram a compreender a questão da inovação no mundo contemporâneo: as correntes econômicas derivadas do pensamento schumpeteriano, e a sociologia construtivista das técnicas desenvolvida principalmente por Bruno Latour, que criou espaço para a incorporação da temática nas Ciências Sociais.

A disciplina econômica foi a que sem dúvida deu o maior impulso à construção da agenda da inovação. As elaborações de Joseph Schumpeter no início do século XX tiveram um impacto considerável no debate sobre transformações tecnológicas e desenvolvimento econômico. Segundo ele, os investimentos nas novas combinações de produtos e processos produtivos de uma empresa repercutem diretamente em seu desempenho financeiro, de modo que o moderno empresário capitalista deve ocupar ao mesmo tempo um papel de liderança econômica e tecnológica. O comportamento empreendedor, com a introdução e ampliação de inovações tecnológicas e organizacionais nas empresas, constitui um fator essencial para as transformações na esfera econômica e seu desenvolvimento no longo prazo (SCHUMPETER, 1982).

Na esteira das elaborações de Schumpeter, há algumas décadas o termo inovação foi cunhado no âmbito da OCDE com vistas a promover uma interação mais efetiva entre o setor produtivo e as áreas de pesquisa e conhecimento. Isso ocorreu no momento em que a abertura de mercados e o aumento da competitividade internacional incitaram empresas e governos a estabelecerem sinergias envolvendo pesquisa tecnológica e política industrial, para a manutenção das taxas de crescimento econômico.

O economista Christopher Freeman, considerado um autor neo-schumpeteriano, foi o responsável pelo estabelecimento do conceito em sua versão atual. Desde os anos 60, a discussão sobre inovação surge e se desenvolve com um claro perfil econômico e corporativo, sendo vista como condição para que empresas e governos tenham um bom desempenho na economia internacional frente às oscilações de mercado e ameaças da concorrência. (Ver FREEMAN, 1992; 1982).

Essa perspectiva de análise levou à formulação de diversos modelos de inovação e projeções macroeconômicas. O cruzamento de informações sobre patenteamento de produtos e investimentos públicos e privados na área tecnológica permitiu a elaboração de fórmulas para se avaliar os efeitos do mercado sobre as práticas de inovação, a célebre problemática da indução pela demanda.

Segundo Flichy (1995), um sério problema metodológico persegue as teorias econômicas que procuraram estabelecer as relações entre pressão da demanda, oferta tecnológica e inovação. Elas propiciam modelos e fazem cruzar determinadas variáveis, mas não lograram explicar como os processos inovativos aparecem e se desenvolvem. As relações exógenas entre ciência e tecnologia e os modelos mecânicos de interferência da demanda sobre a atividade tecnológica mostraram-se insuficientes para esclarecer porque determinadas inovações tiveram êxito e outras não.

A partir dos anos 80, os economistas passaram a mudar o enfoque de análise. Com a globalização da economia e a flexibilização dos formatos organizacionais envolvendo empresas, agências estatais e centros de pesquisa, a formação e desenvolvimento de redes passa a ser um tema central dos pesquisadores sobre inovação (FREEMAN, 1992).

Nesse contexto, em que a estrutura organizacional assentada nos fluxos de informação passa a ser mais essencial que os próprios produtos desenvolvidos a partir das atividades tecnológicas, estabelece-se um novo conceito, o de sistemas nacionais de inovação. As interações entre os agentes econômicos, as instituições de pesquisa e organismos governamentais estipulam ações recíprocas que geram a capacidade de desenvolvimento de condições de inovação. Políticas locais e setorizadas passam a ser imprescindíveis para a compreensão do potencial inovativo de uma nação e região, independentemente da atividade específica de cada setor e das oscilações da demanda (CASSIOLATO & LASTRES, 2000).

A interação das firmas com e no sistema passa a adquirir significado estratégico. Essas capacidades, que anteriormente eram consideradas como que mais puramente administrativas ou gerenciais, são consideradas no período atual como parâmetros de inovação (LEMOS, 2000; TRIGUEIRO, 2002)."

Thales de Andrade, "Inovação tecnológica e meio ambiente: dando um passo acima", in http://www.anppas.org.br/encontro_anual/encontro2/GT/GT01/thales.pdf
[Consultado em 20 de Setembro de 2008]

Programa e formas de avaliação da UC de Ciência, Tecnologia e Inovação - 1º ciclo do curso de Sociologia, Universidade do Minho 2008/09

Programa e formas de avaliação da UC de Ciência, Tecnologia e Inovação - 1º ciclo do curso de Sociologia, Universidade do Minho 2008/09

http://neves.do.sapo.pt/Cien_Tecn_Inov/Programa_UC_TecCiencInov_ER_NEV_08_09.pdf



Aula de 17 de Novembro - O que é a inovação? A perpectiva de um economista brasileiro: Ary Plonsky

Encontrei uma conferência de um economista brasileiro, no youtube, sobre o conceito de inovação.

"O Prof.Dr. Ary Plonsky fala sobre uma nova divisão social do trabalho de inovação, fruto de uma combinação de vários fatores tais como:
* uma nova geografia da inovação - que inclui países específicos com grande capacidade de gerar empresas e relações -,
* uma motivação mais abrangente do que o simples retorno financeiro – isso inclui o desenvolvimento de tecnologias em benefício do planeta –
* e o aumento do número de atores envolvidos no campo da inovação."

Ver no youtube:
http://www.youtube.com/watch?v=UJ6pFJbCWbY&feature=related


quinta-feira, setembro 18, 2008

A propósito de Gilbert Simondon: a tendência estética, como herança mágica, entre o técnico e o religioso

A propósito de Gilbert Simondon: a tendência estética, como herança mágica, entre o técnico e o religioso
José Pinheiro Neves (Universidade do Minho)

Comparar os modos de pensamento só é possível se eles se situarem no mesmo plano; torna-se também necessário entendê-los numa articulação emparelhada, visto que são sempre o desdobramento do pensamento unitário primitivo.
Neste contexto, o pensamento estético pode ser definido mais como uma tendência do que como uma espécie. "O pensamento estético é o que mantém a recordação implícita da unidade; (…) este modo procura atingir a totalidade do pensamento e recompor uma unidade através duma relação analógica".
Ao ser visto como uma tendência, o pensamento estético não se reduz ao esteticismo nem muito menos ao mundo das obras de arte. Pelo contrário, "a obra de arte fazendo parte de uma civilização utiliza a impressão estética e satisfaz, talvez artificialmente e de maneira ilusória, a tendência do homem para procurar, quando exerce um certo tipo de pensamento, o complemento em relação à totalidade. (…) Mas a obra de arte não reconstroi realmente o universo mágico primitivo: este universo estético é parcial, inserido e contido no universo real e actual proveniente do desdobramento. De facto, a obra de arte sobretudo mantém (e preserva) a capacidade de experimentar a impressão estética, tal como a linguagem permite a capacidade de pensar, sem no entanto ser o pensamento". O que caracteriza a impressão estética é acima de tudo a perfeição do acabamento que lhe confere uma dimensão universal, passando a constituir um equivalente da totalidade mágica.
Desta forma, a estética como tendência pode atravessar uma obra técnica ou uma obra religiosa. "o carácter estético dum acto ou duma coisa é a sua função de totalidade, a sua existência simultaneamente objectiva e subjectiva, como ponto remarcável. Todos os actos, todas as coisas, todos os momentos possuem uma capacidade de se transformarem em pontos remarcáveis de uma nova reticulação do universo.
Cada cultura selecciona alguns dos actos e algumas das situações que estão aptas e transformar-se em pontos remarcáveis; mas não é a cultura que cria a aptidão de uma situação para se tornar um ponto remarcável; a cultura coloca barreiras a certos tipos de situação, deixando à expressão estética apenas algumas vias estreitas em comparação com a espontaneidade da impressão estética; a cultura intrevém mais como limite do que como criadora".
A tendência das técnicas, após terem isolado as figuras do mundo mágico, é a de retornar para o mundo criando uma nova reticulação em que privilegia certos lugares numa lógica híbrida de esquemas técnicos e poderes naturais. É nesse momento de reunião que aparece a impressão estética. Também o pensamento religioso, quando se aproxima de cada cultura e de cada grupo humano, tende a criar uma unidade de rede. A impressão estética, comum ao pensamento religioso e ao pensamento técncio, é a única ponte que permite ligar estas duas metades do pensamento resultantes do abandono do pensamento mágico".
Vejamos então quais são as características do pensamento estético que lhe permite esta articulação, este voltar à unidade.
Em primeiro lugar, a actividade estética perserva a estrutura inicial de rede, de pontos-chave, tanto no pensamento técnico como no pensamento religioso.
Em segundo lugar, "o pensamento estético, situando-se no intervalo entre a subjectivção religiosa e a objectivação técnica, limita-se a concretizar as qualidades de fundo através das estruturas técnicas".
Terceiro, não podemos situar a realidade estética nem no objecto nem no sujeito, visto que ela se poderá transformar "na organização intencional duma realidade natural" ou continuar ligada ao homem, ao sujeito, sendo "uma modulação da voz, uma mudança no discurso, uma maneira de se vestir".
Por último, o que a define é fundamentalmente a inserção e não a imitação.
Numa palavra, podemos afirmar que "a arte é o que estabelece a transductividade dos diferentes modos de pensamentos entre si; a arte é aquilo que no modo continua a ser não-modal, como se em torno do indivíduo restasse uma realidade pré-individual associada a ele permitindo-lhe a comunicação na instituição do colectivo".

José Pinheiro Neves

Baseado e com excertos do livro de Gilbert Simondon, Du mode d'existence des objects techniques, Paris, Aubier, 1989

sexta-feira, abril 04, 2008

Artigo de José Luís Garcia sobre "Sobre as origens da crítica da tecnologia na teoria social:Georg Simmel e a autonomia da tecnologia"

José Luís Garcia, "Sobre as origens da crítica da tecnologia na teoria social: Georg Simmel e a autonomia da tecnologia"

http://www.scientiaestudia.org.br/revista/PDF/05_03_02.pdf