Tecnologia, Ciência e Inovação: a abordagem sociológica
Weblog das disciplinas da área da Sociologia da Técnica.
Tecnologia, Ciência e Inovação - 1º ciclo de Sociologia (2010/11) Universidade do Minho
Docente: José Pinheiro Neves
E-mail: jpneves2007@gmail.com
quarta-feira, fevereiro 02, 2011
Avaliações de Janeiro de 2011
As avaliações da UC Tecnologia, Ciência e Inovação estão disponíveis na Blackboard do E-learning da Universidade do Minho. Ver em Informações.
quinta-feira, janeiro 13, 2011
Um resumo de um livro fundamental da UC: Sociologia da Inovação de Luísa Oliveira
Um resumo de um livro fundamental da UC: Sociologia da Inovação de Luísa Oliveira
Recensão de: Luísa Oliveira, Sociologia da Inovação — A Construção Social das Técnicas e dos Mercados, Oeiras, Celta Editora, 2008, 177 páginas
Hugo Pinto
Centro de Estudos Sociais — Universidade de Coimbra
sexta-feira, dezembro 10, 2010
Como escrever no trabalho prático?
Como escrever no trabalho prático?
Uma sugestão da wikipedia. A ler com atenção.
"Conceber, criar e desenvolver um bom artigo são actividades que trazem uma grande satisfação, especialmente se o artigo vier a ser considerado um dos melhores artigos da Wikipédia! Contudo, para que um artigo possa atingir um nível elevado é necessário muito trabalho.
O objectivo desta página é oferecer algumas ideias que podem ajudar a tornar mais fácil a escrita de um artigo de qualidade."
quarta-feira, dezembro 08, 2010
Aula de 25 de Novembro - Exemplo de um processo de inovação - ver a teoria do actor-rede.
NOTA: como entretanto não recebi o resumo da aula de 25 de Novembro sobre a inovação no México, irei utilizar um resumo do ano passado.
Tecnologia tradicional de fogão a lenha
Tecnologia tradicional de fogão a lenha
O exemplo de um processo de inovação no México a partir do testemunho de uma consultora: o caso dos fogões que poupam lenha. Tem muitas semelhanças como o caso aprsentado por J. Law na Nicarágua (ver PP da aula de 2 de Dezembro na BB).
Contexto social
É importante contextualizar: o México é um país pouco desenvolvido e heterogéneo. Em certas zonas do Estado do México, situado no centro do país, onde a consultora trabalhou, existem muitos indígenas com poucos recursos financeiros.
Tecnologia anterior
Os fogões a lenha que as mulheres indígenas trabalham na cozinha funcionam como um só lugar. A cozinha serve de sala, dormitório, etc. Um fogão tradicional são três pedras e um ferro liso onde se cozinha. Por este fogão sai muito fumo afectando os pulmões e os olhos das famílias indígenas. A lenha, que estas mulheres utilizam, têm que ir buscá-la das árvores e florestas, implicando, nalguns casos, uma deslocação e o seu transporte aos ombros.
Descrição da nova tecnologia
Ver aqui a descrição da tecnologia dos novos fogões:
http://www.youtube.com/watch?v=uG5fCYRLKbA
"Una estufa ahorradora de leña tiene las siguientes ventajas: disminuye el impacto ambiental de los bosques por su menor consumo, diluye el riesgo de enfermedades respiratorias, ahorra energía, aminora el riesgo de accidentes por causa de incendios y contribuye a mejorar los ingresos rurales al disminuir costos de recolección o compra de leña."
in
Problemática do projecto
A ONG apresentou novas formas para melhorar a vida destas pessoas de uma forma sustentável. Sugeriram novos fogões, inspirados numa experiência na Nicarágua, fechados ligados a um tubo por onde sai o fumo. Desta forma poupa-se 40 a 50 % de lenha. Em cada comunidade, usam-se materiais diferentes em função do eco-sistema. Portanto, a tecnologia adapta-se a estas situações e materiais específicos de cada comunidade. É importante dizer que este projecto se distingue de outros projectos dos EUA que querem implantar tecnologias de uma forma simplista.
Em 2004 criaram-se projectos para comunidades indígenas.
A consultora foi contratada para apoiar afase inicial de esclarecimento num projecto de uma ONG do México. Objectivo era, em várias aldeias indígenas, implementar um projecto de fogões ecológicos - estufas.
Ver aqui a descrição de um projecto semelhante em Chiapas, sul do México. "Estufas ahorradoras de leña. Desarrollo Rural Comitán, Chiapas, México". http://www.youtube.com/watch?v=5X6wztdhZcY
A ONG inspirou-se num modelo importado da Guatemala. Na reunião de esclarecimento numa das aldeias, com mulheres indígenas, em 2009, havia aproximadamente 20 participantes, das quais muitas não sabiam ao certo em que consistia o modelo de fazer novos fogões. Além disso, muitas não queriam modificar os seus fogões tradicionais, porque pensavam que ele era caro. Quando se explicou que estes novos fogões protegiam melhor as mulheres de doenças e do fumo e até da segurança, estas ficaram conscientes da importância de implementar este modelo.
Discutiu-se se a altura da base dos fogões era apropriada à estatura da maioria das mulheres e se eram feitos de materiais existentes nessa comunidade. Se nessa comunidade existiam pedras, as bases eram feitas de pedra, ou terra, areia ou cimento, ou seja, o material para construir a base dos fogões era adaptado de acordo com os materiais que a comunidade oferecia. Para fazer o fogão, parte exterior, utilizaram cimento, terra, areia. Na parte interior, utilizaram excremento de cavalo, cinza e água de milho, com isolamentos. O fogão deve ser resistente e na parte de dentro é importante que haja materiais isolantes para conservar o calor.
O fogão tem uma placa de metal inoxidável que é constituída por 3 bocas -pequena, média e grande - em que dentro de cada uma há 3 formas que se podem adaptar a várias coisas para cozinhar. Quando acabam de cozinhar, como a placa ainda está quente, aproveitam o calor para fazer tortilhas. A constituição dos fogões teve em conta certas opiniões dos indígenas. Por exemplo, a utilização de excremento de cavalo foi ideia dos indígenas. É importante referenciar que este projecto dos fogões foi negociado, houve um processo colectivo de partilha de informação. Foi necessário haver compromisso e comparticipação: os indígenas participavam com a mão-de-obra e pagavam uma certa quantia (de tipo quase simbólico). Apesar de haver dinheiro para fornecer ou dar estes fogões, o objectivo foi haver negociação e comparticipação por ambas as partes, de forma a poupar dinheiro para desta forma ajudar mais comunidades e implementar outras novas tecnologias. O compromisso é escrito e assinado. Dá-se formação às mulheres as quais ensinam o modelo a outras mulheres, o que faz passar informação para as outras pessoas e desta forma poupa-se dinheiro na formação. Quem não assume este compromisso, é retirado da rede. Utilizaram-se maioritariamente as mulheres porque os homens são mais resistentes às tecnologias, as mulheres são dotadas de mais capacidades de decisão pois trata-se do seu domínio na divisão doméstica do trabalho. Além disso, modifica a lógica masculina de poder. É um projecto que melhorou a auto estima das mulheres que participaram e diminuiu a diferenciação de géneros.
Conclusão
Este projecto ainda está numa fase inícial. Vejamos agora o que se sucedeu em outros projectos concluídos.
Outro exemplo que mostra como a rede se transforma
A entrevistada referiu um "problema" que surgiu num projecto igual. A consultora observou que, na fase final, os fogões não correspondiam ao modelo final previsto, pois os camponeses negociaram a tecnologia de acordo com os pressupostos, de acordo com o modelo anterior. Criaram fogões com mais entradas para lenha o que fez com que o fumo continuasse a sair. Duas hipóteses de interpretação: pode ter havido problemas de tradução da língua castelhana para língua da comunidade indígena; ou então houve uma tradução/negociação por parte dos indígenas. Os indígenas partem de uma concepção do mundo dita pré-científica: quanto mais lenha, mais calor então quanto mais entradas para meter lenha, mais calor. Mas esta interpretação embora coerente não coincide com a proposta pela ONG. A sua tecnologia associada à sua tradução economicista e científica não foi suficiente para convencer os indígenas a reproduzir os fogões como estava previsto no modelo.
Formas de inovação: visão economicista versus a ligada à noção de rede sócio-técnica
Existem essencialmente duas formas de inovação: uma forma mecânica de transportar tecnologia e pensar que basta transferir - é avisão determinista; na outra, adapta-se a tecnologia às situações. A tecnologia quando muda de contexto transforma-se. Quando se incorpora uma tecnologia tem que se estudar as experiências ou modelos que têm êxito para adaptar a uma realidade. Se não funcionar, tem que se dar um seguimento, tem que se continuar tentar um novo modelo até que funcione.
A diferença entre a visão do actor social e do investigador
A tendência dos actores é resolver os problemas de uma forma pragmática. Desta forma, não têm noção do processo de negociação. Um sociólogo consegue visualizar os problemas que existem em adaptar e a implementar as tecnologias".
Texto elaborado pela aluna Adriana Faria A52300
(revisto pelo docente em: 31 de Janeiro de 2010)
Ver caso semelhante em:
John Law, Traduction/Trahison - Notes on ANT(ver "Story one")http://cseweb.ucsd.edu/~goguen/courses/175/stslaw.html
Ver a tradução no PP da aula de 2 de Dezembro na BB (conteúdos).
John Law, Traduction/Trahison - Notes on ANT(ver "Story one")http://cseweb.ucsd.edu/~goguen/courses/175/stslaw.html
Ver a tradução no PP da aula de 2 de Dezembro na BB (conteúdos).
segunda-feira, novembro 22, 2010
Bibliografia sobre sociologia da inovação e da tecnologia
"Sociologia, Inovação & Tecnologia. Uma compilação de literatura"
Ver aqui:
http://www.ufrgs.br/ppgsocio/Odilnovacao&Tecnologia.pdf
Ver aqui:
http://www.ufrgs.br/ppgsocio/Odilnovacao&Tecnologia.pdf
sábado, novembro 20, 2010
Sumários das aulas
Sumários da aulas dadas
Aula 1 - Apresentação do Programa, Bibliografia e Formas de Avaliação
14 de Outubro de 2010
Apresentação do docente e dos alunos.
Discussão sobre as expectativas dos alunos.
Apresentação e discussão dos Objectivos, Programa, Bibliografia e Formas de Avaliação.
Aula 2
21 de Outubro
Debate colectivo: "Como definir a ciência moderna?". Apresentação do debate na área da Ciência Tecnologia e Sociedade.
Aula 3
28 de Outubro – O debate na sociologia da ciência. Thomas S. Kuhn como fundador da sociologia da ciência. O construtivismo forte na sociologia da ciência: David Bloor e a escola de Bath.
Aula 4
4 de Novembro - Debate com os alunos sobre a a relação entre tecnologia e sociedade.
Aula 5
11 de Novembro - O determinismo tecnológico. As suas diferentes versões.. McLuhan e Mumford.
Aula 6
18 de Novembro – O construtivismo social na sociologia da tecnologia. O exemplo da bicicleta. O construtivismo social fraco (a versão norte-americana dos estudos da ciência, tecnologia e sociedade): Langford Winner.
Aula 7
25 de Novembro – Apresentação de um caso prático de inovação num país da América Latina. Ver aqui resumo:
Aula 8
2 de Dezembro – A teoria clássica da inovação: Schumpeter. Ver os PPs na BB, em Grupos (Teoria clássica).
A teoria do actor-rede. A perspectiva simétrica como uma forma de ultrapassar o debate determinismo tecnológico versus construtivismo social.
Ver os PPs da aula na BB.
Aula 9
9 de Dezembro – A teria do actor-rede. A teoria da economia da difusão.
A teoria de Simondon e Stiegler.
Aula 10
16 de Dezembro – Teoria da etnometodologia e do interaccionismo de Flichy.
Aula 11
6 de Janeiro – Esclarecimento dúvidas para o teste.
Aula 12
13 ou 20 ou 27 de de Janeiro? – teste.