sábado, outubro 30, 2010

Facebook

Podem ver vídeos e conversar on-line sobre temas das aulas no Facebook num grupo que criei para a UC de Metodologia.


Os alunos de TCI também são convidados visto que há temas semelhantes, nomeadamente o debate sobre o que distingue a ciência de outros saberes.
Ver especialemente os vídeos sobre os níveis de consciência.

Ligação:
http://www.facebook.com/home.php?sk=group_162340640453635
Para entrar no grupo, terão de criar um perfil no Facebook.
Obrigado!

Programa e formas de avaliação UC: Tecnologia, Ciência e Inovação

Ficha de Unidade Curricular


Designação da UC: Tecnologia, Ciência e Inovação
Ano Lectivo: 2010/11

Docente(s):

José Pinheiro Neves


Créditos ECTS: 5

Métodos de Ensino:
Expositivo e aulas práticas/seminários


Métodos de Avaliação:

Dois mini-testes individuais (70%) e trabalho de pesquisa bibliográfica em grupo (20%), um mini-ensaio (10%).

Programa sucinto:
1ª Parte: Ciência e Tecnologia
1. Introdução aos estudos sociais da ciência e tecnologia: porque é que a ciência e a tecnologia interessam à sociologia?
2. A importância social da ciência e da tecnologia: o que faz da ciência uma forma especial de conhecimento?
3. Sócio-tecnologias: determinismo tecnológico e construção social da tecnologia.

2ª Parte: Tecnologia e Inovação
1. Introdução geral às duas grandes tendências no estudo sociológico da tecnologia e da inovação: a sociologia da inovação tecnológica e os estudos sociais da ciência e tecnologia.
2. Inovação e tecnologia: das teorias clássicas da inovação à abordagem sócio-técnica multicausal e multilinear


Programa detalhado:

1ª Parte:

  • Apresentação do programa, objectivos, regime de funcionamento e avaliação.
  • Porque é que a ciência e a tecnologia interessam à sociologia?
  • A importância social da ciência e da tecnologia: o que é que faz da ciência uma forma especial de conhecimento? Empiricismo, o critério de demarcação científica de K. Popper, normatividade em R. Merton e valores em T. Kuhn.
  • Sócio-tecnologias: determinismo tecnológico e construção social da tecnologia. Usos e interpretações da tecnologia: quem determina o quê?
  • Aplicações socio-técnicas e risco: modernidade, risco e regulação.
  • Ciência e políticas públicas: porque é que os Estados financiam a ciência? O papel dos peritos nos processos de decisão.

2ª Parte:

  • Introdução às grandes tendências no estudo sociológico da tecnologia e da inovação: a sociologia da inovação tecnológica e os estudos sociais da ciência e tecnologia.
  • Inovação e tecnologia. As teorias clássicas da inovação; visão clássica e neo-clássica (Schumpeter); a teoria da difusão.
  • O debate mais recente em torno do determinismo da técnica e do social na inovação (na economia, na história, na sociologia da comunicação e na sociologia do trabalho e das organizações).
  • Por uma abordagem sócio-técnica multicausal e multilinear. A filosofia da técnica: a indeterminação da relação entre objecto técnico e ser humano (Simondon e Stiegler). A antropologia da técnica. A sociologia da ciência e da técnica: o construtivismo social. A nova sociologia da técnica e da ciência [a tecnociência]: as redes sócio-técnicas. A proposta baseada na etnometodologia e no interaccionismo: os quadros de referência da acção e as suas modalidades (estratégica e táctica).

Principais resultados de aprendizagem:

1ª Parte:
  • Explicar a importância de estudar a ciência e tecnologia em sociedade;
  • Identificar os factores sociais de produção da ciência e tecnologia;
  • Caracterizar a autoridade científica;
  • Problematizar a relação entre desenvolvimento tecnológico e a ‘multiplicação’ do ‘risco’;
  • Compreender a relação Estados-nacionais / ciência.

2ª Parte:

  • Identificar e aplicar os principais conceitos da sociologia da inovação e da tecnologia;
  • Compreender a relação entre inovação social e inovação técnica;
  • Identificar os principais conceitos da perspectiva simétrica na análise de processos de inovação sócio-técnica;
  • Esboçar uma investigação social sobre processos de inovação tecnológica.

Bibliografia de base:
1ª Parte:
  • Nunes, João Arriscado e Gonçalves, M. Eduarda (2001) Enteados de Galileu? A semiperiferia no sistema mundial da ciência. Porto: Afrontamento.
  • Yearley, Steven (2005) Making Sense of Science – Understanding the Social Study of Science. Sage: London.
  • Yearley, Steven (1988), “The Status of Scientific Knowledge” in Science, Technology and Social Change. London: Unwin Hyman.
  • Bruce, Bimber (1990) “Karl Marx and the Three Faces of Technological Determinism”, Social Studies of Science, Vol. 20, No. 2., pp. 333-351.
  • Volti, Rudi (1992), “Technology and its Creators: Who’s in Charge of Whom?”, in Society and Technological Change. New York. St. Martin’s Press.
  • Pinch, Trevor J. & Bijker, Wiebe E (2001) [1987] “The Social Construction of Facts and Artifacts: Or How the Sociology of Science and the Sociology of Technology Might Benefit Each Other” in Wiebe, B., Hughes, Thomas P. & Pinch, T., The Social Construction of Technological Systems. Cambridge, London: The MIT Press.
•      Beck, Ulrich (1992) Cap. 1 (Parte 1) in Risk Society: Towards a New Modernity (London: Sage).
  • Gonçalves, M. E. (coord), Ciência e Democracia. Bertrand Editora: Venda Nova.

2ª Parte

  • Andrade, Thales de (2005), “Inovação e ciências sociais: em busca de novos referenciais”, Revista Brasileira de Ciências Sociais, Vol. 20 nº 58, São Paulo Junho.
  • Callon, Michel. (1987) "Society in the making: the study of technology as a tool for sociological analysis", in Wiebe Bijker et al. (eds.), The social construction of technological systems, Mass., Cambridge: MIT Press.
  • Flichy, Patrice. (1995) L'innovation technique. Paris: La Découverte.
  • Latour, Bruno. (1992) Aramis ou l'amour des techniques. Paris: La Découverte.
  • Simondon, Gilbert. (1969) Du mode d'existence des objets techniques. Paris: Aubier-Montaigne.
  • Stiegler, Bernard. (1998), Technics and time 1. Londres: Routledge.



Formas de contacto com os alunos:
José Pinheiro Neves: Aulas teóricas e práticas, horário de atendimento.

Horário de atendimento:
José Pinheiro Neves: Quarta-feira, 17-19.30h.

sexta-feira, outubro 22, 2010

"A saúde mental dos portugueses" - um exemplo de mini-ensaio

Um exemplo que vos pode ajudar para o mini-ensaio. Um texto bem escrito que alia a subjectividade a uma argumentação com alguma base científica. Sem ser aborrecido.


Transcrição do artigo do médico psiquiatra Pedro Afonso, publicado no Público, 2010-06-21


A saúde mental dos portugueses




Alguns dedicam-se obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas.

Recentemente, ficámos a saber, através do primeiro estudo epidemiológico nacional de Saúde Mental, que Portugal é o país da Europa com a maior prevalência de doenças mentais na população. No último ano, um em cada cinco portugueses sofreu de uma doença psiquiátrica (23%) e quase metade (43%) já teve uma destas perturbações durante a vida.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque assisto com impotência a uma sociedade perturbada e doente em que violência, urdida nos jogos e na televisão, faz parte da ração diária das crianças e adolescentes. Neste redil de insanidade, vejo jovens infantilizados incapazes de construírem um projecto de vida, escravos dos seus insaciáveis desejos e adulados por pais que satisfazem todos os seus caprichos, expiando uma culpa muitas vezes imaginária. Na escola, estes jovens adquiriram um estatuto de semideus, pois todos terão de fazer um esforço sobrenatural para lhes imprimirem a vontade de adquirir conhecimentos, ainda que estes não o desejem. É natural que assim seja, dado que a actual sociedade os inebria de direitos, criando-lhes a ilusão absurda de que podem ser mestres de si próprios.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque, nos últimos quinze anos, o divórcio quintuplicou, alcançando 60 divórcios por cada 100 casamentos (dados de 2008). As crises conjugais são também um reflexo das crises sociais. Se não houver vínculos estáveis entre seres humanos não existe uma sociedade forte, capaz de criar empresas sólidas e fomentar a prosperidade. Enquanto o legislador se entretém maquinalmente a produzir leis que entronizam o divórcio sem culpa, deparo-me com mulheres compungidas, reféns do estado de alma dos ex-cônjuges para lhes garantirem o pagamento da miserável pensão de alimentos.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque se torna cada vez mais difícil, para quem tem filhos, conciliar o trabalho e a família. Nas empresas, os directores insanos consideram que a presença prolongada no trabalho é sinónimo de maior compromisso e produtividade. Portanto é fácil perceber que, para quem perde cerca de três horas nas deslocações diárias entre o trabalho, a escola e a casa, seja difícil ter tempo para os filhos. Recordo o rosto de uma mãe marejado de lágrimas e com o coração dilacerado por andar tão cansada que quase se tornou impossível brincar com o seu filho de três anos.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque a taxa de desemprego em Portugal afecta mais de meio milhão de cidadãos. Tenho presenciado muitos casos de homens e mulheres que, humilhados pela falta de trabalho, se sentem rendidos e impotentes perante a maldição da pobreza. Observo as suas mãos, calejadas pelo trabalho manual, tornadas inúteis, segurando um papel encardido da Segurança Social.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque é difícil aceitar que alguém sobreviva dignamente com pouco mais de 600 euros por mês, enquanto outros, sem mérito e trabalho, se dedicam impunemente à actividade da pilhagem do erário público. Fito com assombro e complacência os olhos de revolta daqueles que estão cansados de escutar repetidamente que é necessário fazer mais sacrifícios quando já há muito foram dizimados pela praga da miséria.

Finalmente, interessa-me a saúde mental de alguns portugueses com responsabilidades governativas porque se dedicam obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas. Entretanto, com a sua displicência e inépcia, construíram um mecanismo oleado que vai inexoravelmente triturando as mentes sãs de um povo, criando condições sociais que favorecem uma decadência neuronal colectiva, multiplicando, deste modo, as doenças mentais.

E hesito em prescrever antidepressivos e ansiolíticos a quem tem o estômago vazio e a cabeça cheia de promessas de uma justiça que se há-de concretizar; e luto contra o demónio do desespero, mas sinto uma inquietação culposa diante destes rostos que me visitam diariamente.

Pedro Afonso
Médico psiquiatra

quarta-feira, outubro 20, 2010

Texto para a aula de 21 de Outubro de 2010

Ramfis Ayús Reyes, “Estudios sociales de ciencia y tecnología: merodeando en el campo” 
Disponível em:
http://www.oei.es/salactsi/ramfis.htm [consultado em 23 de Março de 2009].

Resumo:

El propósito general del escrito es ofrecer un panorama, incluyendo algunas reflexiones, sobre la conformación del campo de los estudios sociales de ciencia y tecnología. Propongo conducir esta revisión a partir de intentar comprender los entrecruzamientos epistémicos que han dado lugar a este campo de conocimientos a partir del fenómeno de la transversalidad de los saberes, o lo que ha dado en llamarse transdisciplinaridad.

En una primera parte, reviso conceptos y nociones fundamentales de ciencia que se expusieron en el primer capítulo del texto base de este ejercicio. 

En una segunda parte, me propongo aclarar el carácter de la transdisciplinaridad como proceso que arroja luz sobre lo que acontece cuando se innova en las ciencias sociales y humanas. 

A continuación, expongo cómo se ha constituido epistemológicamente el campo de los estudios sociales de la ciencia y la tecnología. En ambos tópicos, y en aras de la síntesis, la información se organiza a partir de una serie de cuadros sinópticos y grafos, los cuales persiguen, además, una intención didáctica. Recurrí a otras fuentes bibliohemerográficas como parte de la reconstrucción del itinerario de los estudios sociales de ciencia y tecnología.