Weblog das disciplinas da área da Sociologia da Técnica.
Tecnologia, Ciência e Inovação - 1º ciclo de Sociologia (2010/11) Universidade do Minho
Docente: José Pinheiro Neves
E-mail: jpneves2007@gmail.com
quarta-feira, maio 31, 2006
Site com um estudo acerca dos blogs baseado na Teoria do actor-rede
http://estalella.wordpress.com/2006/05/10/entre-blogs-haciendo-etnografia-simetrica/#more-59
quarta-feira, maio 24, 2006
Aula de 22 de Maio de 2006 - Resolução de um teste
Sociologia da Técnica
Opção cultural
Aula de 22 de Maio de 2006
Imaginando que foi convidado a fazer uma avaliação do processo de introdução do "sistema de qualidade" a partir de uma visão construtivista técnico-social (teoria do actor-rede), tente responder às seguintes preguntas.
a) Como referiu a Eng. Rosário, antes da introdução deste novo "sistema", existia um sistema de qualidade menos formalizado que se baseava nas especificações técnicas dos construtores. Será que este aspecto afectou as traduções dos actores, nomeadamente os que estavam mais directamente envolvidos no sistema menos formalizado? Desenvolva os seus argumentos tendo em conta, por um lado, os breves resumos das traduções dos actores apresentados pela Eng. Rosário (não se esquecendo que ela era a responsável pela implementação do novo sistema), e, por outro, a partir das noções de tradução e rede.
b) Será que este processo poderá ser considerado fracasso? Analise a forma como, na segunda fase, foi ensaiada uma resolução do "problema" à luz do conceito de "rede sócio-técnica".
Respostas:
"a) Devido à nova rede existente, ou melhor, devido à transformação desta, surgiram diversas criticas ao novo "sistema" recém implementado por parte de diferentes actores. Estes preferiam o anterior "sistema", já que envolvia menos papéis, menos confusão.
A simplicidade do processo anteriormente existente sofreu uma alteração tendo em vista uma evolução qualitativa- Tal facto afectou, como é frequente, as traduções dos actores mais directamente envolvidos em toda a trama. Como era expectável, as traduções tiveram de ser simplificadas, esbatendo consequentemente as críticas levantadas.
b) Inicialmente poder-se-ia considerar um fracasso, mas o evoluir do processo revela as mais valias que este traz, confirmando a importância da análise sócio-técnica. Visto que estamos num processo de transformação de uma rede, torna-se necessário ter em conta os actores desta, assim como as respectivas traduções dirigidas. As traduções, para serem eficazes melhorando a rede, têm de ser o mais simples possível.
Pergunta sugerida pela Sara a partir do caso da Motometer que irá sair no teste (ver entrada neste blog):
Será que podemos considerar esta investigação como um fracasso, já que a solução da colocação dos bancos não foi adoptada?
R: A resposte é negativa.
1º Argumento:
O objectivo da investigação não era a colocação dos bancos. De facto, esta não tinha por principio uma aplicação directa, previa-se apenas estudar e trabalhar os dados de um inquérito.
Além disso, a não utilização dos bancos estava explicita no contrato (situação de assalariados).
2º Argumento:
Na continuação do argumento anterior, pretendia-se, principalmente, descrever o funcionamento das redes numa lógica sócio-técnica. O que não quer dizer que o diagnostico não possa ser utilizado pelos dirigentes da empresa.
Como?
O facto de uma grande parte dos operários de um dos turnos apontar esta situação como causa de insatisfação, mostra que numa das redes há um grande descontentamento. Esta informação pode ser utilizada pelos dirigentes da empresa.
Na linha do argumento anterior, as diferenças das traduções das redes permitem fazer um diagnóstico das mesmas. Neste caso, obrigam a concordar com a análise sócio-técnica, visto que, nas redes onde existe maior participação, são referidas fundamentalmente as questões técnicas.
Não existe dissociação do técnico do social e vice-versa, e muitas vezes revela-se que o social é mais importante e prioritário que o técnico".
Texto enviado por Vasco Enes, aluno da disciplina.
Opção cultural
Aula de 22 de Maio de 2006
Imaginando que foi convidado a fazer uma avaliação do processo de introdução do "sistema de qualidade" a partir de uma visão construtivista técnico-social (teoria do actor-rede), tente responder às seguintes preguntas.
a) Como referiu a Eng. Rosário, antes da introdução deste novo "sistema", existia um sistema de qualidade menos formalizado que se baseava nas especificações técnicas dos construtores. Será que este aspecto afectou as traduções dos actores, nomeadamente os que estavam mais directamente envolvidos no sistema menos formalizado? Desenvolva os seus argumentos tendo em conta, por um lado, os breves resumos das traduções dos actores apresentados pela Eng. Rosário (não se esquecendo que ela era a responsável pela implementação do novo sistema), e, por outro, a partir das noções de tradução e rede.
b) Será que este processo poderá ser considerado fracasso? Analise a forma como, na segunda fase, foi ensaiada uma resolução do "problema" à luz do conceito de "rede sócio-técnica".
Respostas:
"a) Devido à nova rede existente, ou melhor, devido à transformação desta, surgiram diversas criticas ao novo "sistema" recém implementado por parte de diferentes actores. Estes preferiam o anterior "sistema", já que envolvia menos papéis, menos confusão.
A simplicidade do processo anteriormente existente sofreu uma alteração tendo em vista uma evolução qualitativa- Tal facto afectou, como é frequente, as traduções dos actores mais directamente envolvidos em toda a trama. Como era expectável, as traduções tiveram de ser simplificadas, esbatendo consequentemente as críticas levantadas.
b) Inicialmente poder-se-ia considerar um fracasso, mas o evoluir do processo revela as mais valias que este traz, confirmando a importância da análise sócio-técnica. Visto que estamos num processo de transformação de uma rede, torna-se necessário ter em conta os actores desta, assim como as respectivas traduções dirigidas. As traduções, para serem eficazes melhorando a rede, têm de ser o mais simples possível.
Pergunta sugerida pela Sara a partir do caso da Motometer que irá sair no teste (ver entrada neste blog):
Será que podemos considerar esta investigação como um fracasso, já que a solução da colocação dos bancos não foi adoptada?
R: A resposte é negativa.
1º Argumento:
O objectivo da investigação não era a colocação dos bancos. De facto, esta não tinha por principio uma aplicação directa, previa-se apenas estudar e trabalhar os dados de um inquérito.
Além disso, a não utilização dos bancos estava explicita no contrato (situação de assalariados).
2º Argumento:
Na continuação do argumento anterior, pretendia-se, principalmente, descrever o funcionamento das redes numa lógica sócio-técnica. O que não quer dizer que o diagnostico não possa ser utilizado pelos dirigentes da empresa.
Como?
O facto de uma grande parte dos operários de um dos turnos apontar esta situação como causa de insatisfação, mostra que numa das redes há um grande descontentamento. Esta informação pode ser utilizada pelos dirigentes da empresa.
Na linha do argumento anterior, as diferenças das traduções das redes permitem fazer um diagnóstico das mesmas. Neste caso, obrigam a concordar com a análise sócio-técnica, visto que, nas redes onde existe maior participação, são referidas fundamentalmente as questões técnicas.
Não existe dissociação do técnico do social e vice-versa, e muitas vezes revela-se que o social é mais importante e prioritário que o técnico".
Texto enviado por Vasco Enes, aluno da disciplina.
terça-feira, maio 09, 2006
Aula de 8 de Maio de 2006 - respostas um possível teste
Aula de 8 de Maio de 2006
1. Apresentação do caso prático
Ver aqui:
http://neves.paginas.sapo.pt/aula.Cristina.9Maio06.htm
2. Correcção de um exemplo de teste semelhante ao que será efectuado no exame da disciplina.
António João Ferreira escreveu:
Data: Tue, 9 May 2006 18:21:26 +0100
De: "António João Ferreira"
Para: jpneves2005@yahoo.com.br
Assunto: Aula de 8 de Maio de 2006 - respostas um possível teste
Caro docente, segue então, como pedido, aquilo que me foi possível captar na aula
**************************************************************************
TESTE
Universidade do Minho – Departamento de Sociologia
Enunciado de um possível Teste
Caso prático: Cristina Gonçalves e José Pinheiro Neves, Factores sociais e técnicos e a satisfação dos colaboradores numa empresa industrial do grupo Bosch – MotoMeter – Vila Real, Braga, Policopiado, 2005.
Leia com atenção o seguinte excerto
“As conclusões deste estudo levam-nos a sublinhar a importância decisiva dos factores grupais no funcionamento da empresa. Mas também nos mostram que a expressão linguística dos sentimentos depende não só da relação da “gestalt” entre chefias e grupos humanos (dimensão etológica-étnica) mas também da que se estabelece entre grupos humanos e objectos técnicos (dimensão sócio-técnica)”.
Responda às seguintes questões
1. Quais são os dados obtidos na investigação (questões abertas, fechadas, entrevistas e observação) que permitem confirmar estas duas conclusões? Justifique.
2. Imagine que teria de continuar esta investigação no âmbito da sua dissertação final do curso de mestrado. Defina, em traços muito gerais, um projecto de investigação, baseado na “sociologia da tradução”, em que iria incluir uma questão inicial de pesquisa, uma problemática teórica e um esboço de metodologia. Na medida do possível, justifique as suas opções.
Boa sorte para todos!
José Pinheiro Neves
Ponderação: 1. Conteúdo. Cada questão: 40 %. 2. Apresentação formal (principalmente a clareza na exposição das ideias e uma correcta estrutura na sintaxe das frases): 10%.
De acordo com o programa e formas de avaliação da disciplina, este teste terá uma ponderação de 90% para a avaliação final.
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Questão 1: Quais são os dados obtidos na investigação (questões abertas, fechadas, entrevistas e observação) que permitem confirmar estas duas conclusões? Justifique.
Resposta:
A grande parte dos dados que podem ser considerados como fundamentais foram obtidos a partir das questões fechadas, e depois cruzados com a interpretação das questões abertas. O que foi possível determinar a uma primeira vista seria a existência de uma grande falta de empatia entre colaboradores e chefias no 1º turno (a funcionar das 06:00 às 15:00). Por outro lado, a hipótese que sublinha a importância dos aspectos físicos (bancos) é reforçada pelos testemunhos do 2º turno.
Aparentemente as duas hipóteses seriam confirmadas. No entanto esta visão é algo simplista, logo é necessário introduzir um novo nível de complexidade à interpretação, para ser possível tirar conclusões mais elaboradas.
Contradição quanto à teoria das necessidades de Maslow: no caso do 1º turno, não foi possível verificar que as necessidades sociais surgem depois das físicas (bancos) estarem satisfeitas.
Há, por isso, necessidade de adoptar uma visão de rede, relacionando as duas hipóteses inicialmente propostas e rejeitando assim uma perspectiva dicotómica.
Questão 2: Imagine que teria de continuar esta investigação no âmbito da sua dissertação final do curso de mestrado. Defina, em traços muito gerais, um projecto de investigação, baseado na "sociologia da tradução", em que iria incluir uma questão inicial de pesquisa, uma problemática teórica e um esboço de metodologia. Na medida do possível, justifique as suas opções.
Resposta: A solução mais simples seria propor uma reestruturação do questionário, sobretudo colmatando falhas algo graves, como a ausência de algumas variáveis independentes tais como a idade, estado civil, caracterização do agregado familiar, etc. Outra sugestão a ter em conta seria arranjar forma de saber mais acerca dos estilos de vida dos colaboradores: por exemplo saber se a origem da queixa do 2º turno relativa à falta de bancos se deve realmente ao facto de terem espaço de manobra junto das chefias para o fazerem, ou se está relacionado com o facto de às 15:00 as pessoas entrarem no trabalho já algo cansadas e portanto sentirem mais falta de conforto físico do que aquelas que começaram a trabalhar pouco depois de terem acordado e portanto, em princípio, estarão mais descansadas.
António João Ferreira, nº38458, LIGUM.
1. Apresentação do caso prático
Ver aqui:
http://neves.paginas.sapo.pt/aula.Cristina.9Maio06.htm
2. Correcção de um exemplo de teste semelhante ao que será efectuado no exame da disciplina.
António João Ferreira escreveu:
Data: Tue, 9 May 2006 18:21:26 +0100
De: "António João Ferreira"
Para: jpneves2005@yahoo.com.br
Assunto: Aula de 8 de Maio de 2006 - respostas um possível teste
Caro docente, segue então, como pedido, aquilo que me foi possível captar na aula
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TESTE
Universidade do Minho – Departamento de Sociologia
Enunciado de um possível Teste
Caso prático: Cristina Gonçalves e José Pinheiro Neves, Factores sociais e técnicos e a satisfação dos colaboradores numa empresa industrial do grupo Bosch – MotoMeter – Vila Real, Braga, Policopiado, 2005.
Leia com atenção o seguinte excerto
“As conclusões deste estudo levam-nos a sublinhar a importância decisiva dos factores grupais no funcionamento da empresa. Mas também nos mostram que a expressão linguística dos sentimentos depende não só da relação da “gestalt” entre chefias e grupos humanos (dimensão etológica-étnica) mas também da que se estabelece entre grupos humanos e objectos técnicos (dimensão sócio-técnica)”.
Responda às seguintes questões
1. Quais são os dados obtidos na investigação (questões abertas, fechadas, entrevistas e observação) que permitem confirmar estas duas conclusões? Justifique.
2. Imagine que teria de continuar esta investigação no âmbito da sua dissertação final do curso de mestrado. Defina, em traços muito gerais, um projecto de investigação, baseado na “sociologia da tradução”, em que iria incluir uma questão inicial de pesquisa, uma problemática teórica e um esboço de metodologia. Na medida do possível, justifique as suas opções.
Boa sorte para todos!
José Pinheiro Neves
Ponderação: 1. Conteúdo. Cada questão: 40 %. 2. Apresentação formal (principalmente a clareza na exposição das ideias e uma correcta estrutura na sintaxe das frases): 10%.
De acordo com o programa e formas de avaliação da disciplina, este teste terá uma ponderação de 90% para a avaliação final.
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Questão 1: Quais são os dados obtidos na investigação (questões abertas, fechadas, entrevistas e observação) que permitem confirmar estas duas conclusões? Justifique.
Resposta:
A grande parte dos dados que podem ser considerados como fundamentais foram obtidos a partir das questões fechadas, e depois cruzados com a interpretação das questões abertas. O que foi possível determinar a uma primeira vista seria a existência de uma grande falta de empatia entre colaboradores e chefias no 1º turno (a funcionar das 06:00 às 15:00). Por outro lado, a hipótese que sublinha a importância dos aspectos físicos (bancos) é reforçada pelos testemunhos do 2º turno.
Aparentemente as duas hipóteses seriam confirmadas. No entanto esta visão é algo simplista, logo é necessário introduzir um novo nível de complexidade à interpretação, para ser possível tirar conclusões mais elaboradas.
Contradição quanto à teoria das necessidades de Maslow: no caso do 1º turno, não foi possível verificar que as necessidades sociais surgem depois das físicas (bancos) estarem satisfeitas.
Há, por isso, necessidade de adoptar uma visão de rede, relacionando as duas hipóteses inicialmente propostas e rejeitando assim uma perspectiva dicotómica.
Questão 2: Imagine que teria de continuar esta investigação no âmbito da sua dissertação final do curso de mestrado. Defina, em traços muito gerais, um projecto de investigação, baseado na "sociologia da tradução", em que iria incluir uma questão inicial de pesquisa, uma problemática teórica e um esboço de metodologia. Na medida do possível, justifique as suas opções.
Resposta: A solução mais simples seria propor uma reestruturação do questionário, sobretudo colmatando falhas algo graves, como a ausência de algumas variáveis independentes tais como a idade, estado civil, caracterização do agregado familiar, etc. Outra sugestão a ter em conta seria arranjar forma de saber mais acerca dos estilos de vida dos colaboradores: por exemplo saber se a origem da queixa do 2º turno relativa à falta de bancos se deve realmente ao facto de terem espaço de manobra junto das chefias para o fazerem, ou se está relacionado com o facto de às 15:00 as pessoas entrarem no trabalho já algo cansadas e portanto sentirem mais falta de conforto físico do que aquelas que começaram a trabalhar pouco depois de terem acordado e portanto, em princípio, estarão mais descansadas.
António João Ferreira, nº38458, LIGUM.