sexta-feira, julho 29, 2005

"Efeitos da técnica" - crónica de Eduardo Prado Coelho no jornal "Público"

"Efeitos da técnica" - crónica de Eduardo Prado Coelho no jornal "Público"
Eduardo Prado Coelho, "Efeitos da Técnica", in Público, Sábado, 15 de Janeiro de 2005.

http://jornal.publico.pt/publico/2005/01/15/MilFolhas/TLCRONI01.html
Efeitos da Técnica
Por vezes temos a sensação de que descobrimos um autor. Não um autor cuja obra já está feita, mas um autor em que a obra se está a fazer (o que envolve hesitações e repetições) diante dos nossos olhos. Esse é o caso de Bernard Stiegler. Começou em 94 com três livros (aparentemente, uma tese de doutoramento) sobre a técnica, e logo nessa altura impôs uma problemática original: "La technique et le temps. I. La faute d'Epiméthée" sai em 94 precisamente. Epimeteu, distraído, estouvado, não distribuiu bem as capacidades pelos seres e deixou os homens como seres em defeito: as técnicas são as próteses (palavra central em Stiegler) que permitem a existência do homem. Em 96, temos o segundo volume deste verdadeiro tratado: "La désorientation". E, por fim, em 2001, "Le temps du cinéma et la question du mal-être", onde introduz a noção de "objecto temporal", aquele em que a sua percepção implica que o nosso tempo e o tempo constitutivo do objecto coincidam: o exemplo privilegiado é o cinema, na medida em que "ver" um filme é fazer ajustar o nosso tempo de percepção ao tempo do filme.
Entretanto, Stiegler vai estabelecendo a diferença entre o analógico e o digital, e mostrando que a digitalização generalizada cria uma linguagem comum que permite a redução de todas as linguagens a um espaço de manipulação: já não há verdade em fotografia, assistimos a uma evanescência do real no processo simbólico, a marca da realidade perdeu-se. Tem uma estimulante reflexão sobre a televisão com Jacques Derrida (e é aqui que surge a noção de "ecografia" e a ontologia do espectral), num livro intitulado "Echographies - de la télévision", com um ensaio na parte final. Aqui se põe à prova a relação de mestre-discípulo entre Derrida e Stiegler, que não exclui, aliás, determinadas divergências pontuais. E ao mesmo tempo se desenvolve uma dimensão inesperada do pensamento de Derrida, aquela que conduz a pensar a televisão como um aspecto essencial da existência contemporânea, capaz de desconstruir certos factores da oposição entre real e imagem.
É esta questão do "mal-estar" que vai reforçar as perspectivas sociais e políticas de Bernard Stiegler. Depois de uma reflexão/confidência que o leva a assumir publicamente um episódio antigo que o conduziu à prisão, Stiegler traça o percurso da sua descoberta da filosofia. Um ensaio breve analisa as derivas fascizantes contemporâneas: "Aimer, s'aimer, nous aimer". E regressam os ciclos textuais. Um intitulado "De la misère symbolique" e referindo-se às características da "época hiperindustrial". Outro, também em 2004, tem o título de "Mécréance et discredit" e ocupa-se da "decadência das democracias industriais". Neste livro Stiegler procura mostrar que não é tão pessimista como aparenta. Ele diz-nos que o sistema técnico exige uma dupla interrupção do curso normal das coisas. Primeiro, uma mutação técnica suspende a ordem dominante. Segundo, duplicando a primeira interrupção (e este processo de duplicação é essencial), a criação de uma nova época traduzindo-se em novas formas de vida - o que é precisamente a matéria dos actuais trabalhos de Bernard Stiegler.
Ora, Stiegler considera que há algo que vem impedir esta criação de uma sociedade nova. Na sua perspectiva, trata-se do envelhecimento do modelo industrial do século XX, com a sua relação entre produção e consumo. E que esta inadequação se manifesta (e este é um dos temas obsessivos de Stiegler) na estupidificação a que nos leva a atitude dos espectadores televisivos. Uma nova sociedade exige novas formas de existência - ora não é isso a que estamos hoje a assistir: as pessoas não existem, limitam-se a sobreviver, numa proletarização generalizada que produz uma miséria simbólica. Consequências: destruição do narcisismo primordial. E esta destruição leva à destruição da lei. Donde, a política degenera e a democracia torna-se uma farsa.
Como vemos, não é propriamente em termos económicos ou sociais que Stiegler analisa a nossa decadência, mas sim em termos simbólicos, a partir de conceitos que ele vai inventando passo a passo. Porém, o seu velho tema lá está. As técnicas são formas de fabricação do homem. Por outras palavras, os homens são fabricados através das técnicas que fabricam. A cultura passa por essa capacidade de transmitir técnicas. Citando Stiegler: "O homem é um ser cultural na medida em que ele é essencialmente um ser técnico: é porque ele está rodeado pela terceira memória técnica que ele pode acumular uma experiência intergeracional a que se chama muitas vezes 'cultura' - e por isso é absurdo opor a técnica à cultura: a técnica é a condição da cultura, na medida em que permite a transmissão. Em contrapartida, há uma época da técnica, a tecnologia, e é a nossa época, em que a cultura entra em crise, precisamente porque se torna industrial e se acha submetida aos imperativos do cálculo da troca." Donde, a técnica é cultura e as duas instâncias não são separáveis. Mas é na medida em que a economia vem interferir na relação técnica-cultura que a crise se instala, e a dimensão simbólica se começa a desfazer.
Não conta apenas o passado. Precisamos de ter em conta essa abertura ao futuro que é a dimensão do desejo. "O que quer dizer que o saber humano não se reduz ao que é conservado pelas suas retenções materiais: o saber humano é essencialmente o desejo humano. E estas retenções materiais só suscitam uma herança na medida em que são fetichizadas, carregadas de fantasmas (a tradução supostamente correcta é a de 'fantasias', mas a palavra parece-me fraca) e de afectos. O que faz que o homem seja um sábio é ele ser um ser desejante, isto é, capaz de fantasmar e de imaginar: só se é um sábio na condição de se ser um apaixonado do saber, e propriamente alucinado pelos seus aparecimentos, que são por exemplo as figuras da geometria." Ora um dos aspectos da crise é que se perdeu a dimensão desejante do saber. O lado de sabor inerente ao saber está hoje a ser liquidado pelos valores mercantis.
Aquilo que Stiegler designou como objectos temporais tem hoje um papel fundamental. Daí uma tese essencial: a indústria dos objectos culturais é cada vez mais uma indústria dos objectos temporais. Ora, se o cinema é um caso privilegiado de objecto temporal, podemos chegar à segunda tese: o cinema é hoje o paradigma do funcionamento da consciência como produção e montagem do tempo. E, por fim, a terceira tese: a produção temporal dos objectos que fazem a cultura de hoje é uma sincronização das consciências. Ou, se preferirem, um dispositivo que leva à cretinização televisiva. Se sincronizar é adaptar-se à mesma temporalidade e perder a sua singularidade, contudo - e este aspecto é essencial -, sincronizar não é uniformizar. Mesmo se existem pontos positivos da unificação e na sincronização em si mesmas. Conclui Stiegler: "O problema não é a sincronia nem a tendência para a sincronia que rege toda a troca humana, e em particular toda a interlocução. O problema posto pela actual tendência para a sincronização é que ela consiste numa decomposição do sincrónico e da diacrónico", porque assistimos ao "decompor do processo de individuação psíquica e colectiva, e ao decompor do eu e do nós - que se desfazem num "se", reino da insignificância.
Eduardo Prado Coelho
© 2000 PÚBLICO Comunicação Social, SA

Resultados da avaliação dos exames de recurso - Julho 2005

Universidade do Minho
Avaliações

Sociologia das Organizações – Opção Cultural

Época recurso - Junho/Julho 2005

Universidade do Minho, 29/07/2005

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Ano Lectivo 2004/2005 Época de Recurso Página 289
Pauta Normal
59 - Engenharia Electrónica Industrial e Computadores
Sociologia das Organizações
24656 Hilário António da Silva Costa ORD F ( faltou )

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Ano Lectivo 2004/2005 Época de Recurso Página 639
Pauta Normal
61 - Engenharia Civil
Sociologia das Organizações
35198 Luisa Eduarda de Oliveira Carvalho Pereira Carneiro ORD 10 ( dez )
33713 Nuno Miguel Pereira Alves ORD 10 ( dez )
36478 Paulo César Brandão Vilaça T-E 10 ( dez )
35179 Joana Filipa Gomes Rodrigues Alves da Silva ORD 13 ( treze )
27315 Luis Filipe Vinhas Martins ORD 16 ( dezasseis )


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Ano Lectivo 2004/2005 Época de Recurso Página 297
Pauta Normal
62 - Engenharia Mecânica
Sociologia das Organizações
35265 Richard Gouveia Alves ORD F ( faltou )
36815 Bruno Alexandre Pacheco de Castro Henriques ORD F ( faltou )


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Ano Lectivo 2004/2005 Época de Recurso Página 220
Pauta Normal
63 - Engenharia e Gestão Industrial
Sociologia das Organizações
26807 Rui Henrique Ferreira Pires T-E 10 ( dez )
19501 Tiago José de Lira Fernandes Faria dos Santos ORD F ( faltou )
29454 Nuno Filipe Leite Fernandes Soares ORD 10 ( dez )

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Ano Lectivo 2004/2005 Época de Recurso Página 382
Pauta Normal
71 - Informática de Gestão
Sociologia das Organizações
34542 Rui Manuel Vaz Lourenço ORD 14 ( catorze )
21706 Narciso Miguel da Silva Rodrigues T-E F ( faltou )

terça-feira, julho 05, 2005

Resultados da Avaliação da Época Normal









Curso: Engenharia Electrónica Industrial e Computadores


Disciplina: Sociologia das Organizações













































Número


Aluno


Reg


Classificação


35229


Antero Daniel Leite Salgado


ORD



36780


António de Freitas Cardoso


T-E



34406


Carlos Alberto Salgado Oliveira


ORD



36306


Fernando Manuel Sousa Oliveira


ORD



24656


Hilário António da Silva Costa


ORD



29284


Paulo Jorge Queirós Silva Araújo


ORD



33030


Tiago André Vieira Gonçalves


ORD





















UNIVERSIDADE DO MINHO


Ano lectivo 2004/2005


Época de Junho/Julho


Página 423



Pauta Normal











Curso: Engenharia Civil


Disciplina: Sociologia das Organizações










































































































Número


Aluno


Reg


Classificação


35153


Ana Margarida da Silva Carvalho


ORD



35155


Ana Sofia Saraiva de Araújo


ORD



35156


Andreia Susana Novais Viana Mesquita


ORD



35158


António Joaquim Coelho Marinho


ORD



37171


Carla Carina Azevedo Neto


ORD



35167


Carlos Alberto Teixeira Coelho Moreira


ORD



37180


Humberto Esteves Botelho


ORD



35178


Isabel Cristina da Silva Nogueira


ORD



35179


Joana Filipa Gomes Rodrigues Alves da Silva


ORD



35187


José António Faria Araújo


ORD



35194


Lídia Cristina dos Reis Freitas


ORD



27315


Luis Filipe Vinhas Martins


ORD



35198


Luisa Eduarda de Oliveira Carvalho Pereira Carneiro


ORD



29995


Maria Clara Vasconcelos Mota de Meireles


T-E



35202


Maria José Moutinho Ferreira


ORD



33713


Nuno Miguel Pereira Alves


ORD



36478


Paulo César Brandão Vilaça


T-E



35223


Sílvia Joelle Ramos Freitas


ORD



37192


Sónia Miranda Martins


ORD





















UNIVERSIDADE DO MINHO


Ano lectivo 2004/2005


Época de Junho/Julho


Página 215



Pauta Normal











Curso: Engenharia Mecânica


Disciplina: Sociologia das Organizações






















Número


Aluno


Reg


Classificação


36815


Bruno Alexandre Pacheco de Castro Henriques


ORD



35265


Richard Gouveia Alves


ORD


























UNIVERSIDADE DO MINHO


Ano lectivo 2004/2005


Época de Junho/Julho


Página 148



Pauta Normal














Curso: Engenharia e Gestão Industrial


Disciplina: Sociologia das Organizações









































Número


Aluno


Reg


Classificação


27563


Eduardo Jorge Oliveira Pinto


T-E



29454


Nuno Filipe Leite Fernandes Soares


ORD



26807


Rui Henrique Ferreira Pires


T-E



22631


Sónia Mafalda da Cunha Castro Lemos


ORD



19501


Tiago José de Lira Fernandes Faria dos Santos


ORD






































UNIVERSIDADE DO MINHO


Ano lectivo 2004/2005


Época de Junho/Julho


Página 251



Pauta Normal











Curso: Informática de Gestão


Disciplina: Sociologia das Organizações









































Número


Aluno


Reg


Classificação


30495


André José Carvalho Guimarães


ORD



34913


Cecília Manuela Ribeiro Machado


ORD



34873


Joana Andreia Lima Pimenta de Sousa Martins


ORD



21706


Narciso Miguel da Silva Rodrigues


T-E



34542


Rui Manuel Vaz Lourenço


ORD



32255


Sílvio José Martins de Freitas


MEL