domingo, fevereiro 01, 2009

Avaliações

Resultados do teste de 28 de Janeiro de 2009

Diana Miranda - 17
Mauro Vaz - 17
Raquel Valente - 14
Sandra Costa - 14
Vânia Ribeiro - 14

Esta parte tem a ponderação de 25% para a avaliação final.


Avaliação do trabalho prático - a ponderação de 25%.

Diana Miranda nº 49742 - 16Mauro Manuel da Silva Mendes Vaz, nº 49781 - 14
Raquel Valente n.º 49799 - 17
Sandra Costa nº 44253 - 16
Vânia Ribeiro n.º 49776 - 17


A avaliação da 1ª parte (Prof. Eugénia) tem a ponderação de 50%.

sábado, janeiro 31, 2009

Avaliações finais

As avaliações serão colocado aqui no blog durante o dia 1 de Fevereiro de 2009.

quinta-feira, janeiro 29, 2009

Exame do dia 3 de Fevereiro de 2009

O exame decorrerá nos mesmos moldes da avaliação dos testes.

A 1ª parte incidirá sobre o módulo dado pela Prof. Eugénia (exame sem consulta com a duração 1 hora) ; na 2º parte com duração de 1 hora, o exame terá a forma do teste com consulta e incidirá o mesmo caso prático (deve ser estudado pelos alunos antes do exame): http://neves.do.sapo.pt/Transp_Silvia_draft_15dez06v2.pdf

segunda-feira, janeiro 26, 2009

Correcção de um teste experimental - aula de 26 Jan. 2009

Correcção de um teste experimental - aula de 26 Jan. 2009
Universidade do Minho - TCI

Exemplo de teste
Questões:Consultar o caso prático.

1 - Tendo em conta as características desta empresa, nomeadamente as ligadas ao tipo de produto e às condições organizacionais de produção, tente explicar, baseado na análise organizacional da Teoria do Actor Rede, o porquê das "dificuldades em aplicar uma politica de qualidade na empresa" (frase utilizada por uma técnica do gabinete de Qualidade).

NOTA: Não esquecer que a teoria do Actor-Rede também trabalha com as noções das duas teorias anteriores (visão estratégica e culturalista como metáfora total) embora usando outros termos. Contudo, diferencia-se porque chama a atenção para o papel dos actores não humanos. Este aspecto já está um pouco presente na teoria do James R. Taylor quando se refere à co-orientação em relação aos objectos técnicos mas aqui estes têm um papel residual.


Resposta aplicando as noções de Simplificação e de Justaposição (ver texto de Callon sobre o VEL da EDF e Renault).

Nota. As duas coisas estão ligadas. Quando tenho uma boa simplificação, é mais fácil colar os elementos. Se a minha tradução não simplificar correctamente, começam a surgir as dúvidas. Aumenta a margem de incerteza. Uma boa simplificação é sempre uma palavra que ordena o futuro, cria alianças, é performativa e cria uma boa ariculação, justaposição.Simplificação - a rede para sobreviver em boas condições tem que fazer uma simplificação da realidade que remete mais para o nível textual. Trata-se de simplificar o projecto da qualidade. Porque é que a simplificação não é fácil? Porque no caso de um empresa que produz um certo produto físico bem delimitado (uma ferramenta, por ex.) é possível quantificar, medir a qualidade, quantificar as peças defeituosas. A rede numa empresa industrial parece funcionar melhor.Ora, como é possível simplificar a qualidade para os motoristas no seu serviço? Eles dizem que a qualidade está a ser cumprida. No caso da bilhética, o problema não está neles mas antes na máquina. Segundo eles, não há procedimentos não conformes.Nota: é a mesma operação executada pelos engenheiros da Renault quando dizem que o problema não são eles mas a simplificação da EDP pois as pilhas não funcionam como deviam (são as pilhas que não seguem a simplificação) e por isso não é possível aquele encaixe, as peças do "LEGO" não encaixam, tendo de tentar outro encaixe com as peças ou desistir de fazer aquela peça LEGO. Neste nosso caso, é o aparelho da bilhética.A justaposição é o outro lado da moeda. Os elementos da rede têm de encaixar como uma construção de Legos. Se as simplificações propostas pela rede da qualidade não encaixam, também os actores deixam de ter o cimento que os une. As simplificações criam legitimidade. Se não funciona o cimento, passa a haver necessidade de fazer obras, de colocar mais cimento ou amarrar à força, de forma coerciva. A proposta da teoria do actor-rede é dizer que as "boas" redes funcionam naturalmente em que a coerção não é muito visível, tal como as organizações modernas.A rede do gabinete da qualidade é uma rede fraca, pois esta só é defendida por este gabinete, e a existência de qualquer tentativa para alterar este procedimento não conforme pode não levar a justaposição. Talvez a simplificação proposta não esteja a funcionar. Verifica-se que a simplificação interliga-se com a justaposição, pois quando não há simplificação não se verifica justaposição.1º Por isso, nas empresas de serviços os "line" (div. ligada á produção) têm um maior peso impedindo a aplicação de uma lógica de qualidade proposta pelo Staff (dep. de qualidade ou de marketing). O oposto se passa numa empresa industrial: ver o caso da indústria automóvel. 2º Por outro lado, estes factores são aumentados pelo facto de ser uma empresa ligada ao Estado Local.


2 -Imaginando que James R. Taylor seria convidado para fazer um diagnóstico, qual a sua perspectiva sobre o caso? Como é que ele interpretaria a resistência dos motoristas?


Para haver uma co-orientação a funcionar é necessário simplificar, utilizando duas dimensões da linguagem que não remetem APENAS para a representação que diz como é o mundo. Para além da visão tradicional que acentua o CONTEÚDO ( a representação), há o aspecto formal - nível textual (uso de técnicas de persuasão) - e o nível interpessoal (intercativo) pois há uma dimensão de força nos enunciados que implica que eles sejam aceites e seguidos, serem válidos ou seja terem legitimidade ( a teoria do actor-rede fala de uma tradução prática, que é interactiva, cria rede).Para entender este processo temos de acompanhar os actores organizacionais na forma como se co-orientam (em relação ao mundo e aos seres humanos que os rodeiam) nesta tripla dimensão (representação, interactiva [mais importante] e retórica-textual). Acompanhar as suas conversas e as suas acções. É este fluxo quotidiano que cria e recria a organização.

Façamos um descrição.


1. De acordo com o Gab. Qualidade, a resistência dos motoristas com os outros actantes não humanos nomeadamente no manuseamento do sistema de bilhética, seria um procedimento não conforme.


2. Mas esta NÃO-CONFORMIDADE diz respeito a uma co-orientação que eles não fazem. Para eles a CONFORMIDADE é o que eles fazem nas suas rotinas. Ora, essas práticas até podem ser conformes aos procedimentos da qualidade pois se fossem a praticar todas as as exigências criavam um bloqueio. Se fossem a relatar todos os procedimentos não-conformes, num fluxo de prestação de serviços arriscavam-se a bloquear o processo numa lógica de greve de zelo.

3. De acordo com as ideias dos motoristas, o inicio de uma circulação é realizada de acordo com a hora do relógio do próprio, e não pelo relógio da máquina, pois segundo os motoristas este raramente está certo, verificando-se um ligeiro, mas real atraso.

4. Deste modo verifica-se uma resistência expressa por parte dos motoristas ao controlo do tempo, valorizam a comunicação oral e os canais informais (relógio pessoal).De acordo com os circuitos da qualidade, uma avaria deste tipo requer um preenchimento de registo. Ora, isso não é feito porque para os motoristas o atraso da hora não é considerado uma avaria.

5. Como se verifica, este procedimento não conforme é geral a nível da vivência dos motoristas no dia a dia, criando-se uma ética de grupo, pois eles unem-se, e desta forma, não existe sanção entre eles. É de salientar que as chefias, ligadas à produção, estão conscientes desta resistência, em que o atraso da hora é considerado como sendo uma fonte de problemas, valorizando assim os circuitos informais.


Soluções possíveis: o gabinete da qualidade deveria criar outras co-orientações apelando a uma metalinguagem.
A primeira seria uma metaconversação com duas vias:
- a lógica da sanção seria uma das hipóteses recorrendo ao código disciplinar;
- ou pela lógica da legitimação propôr uma metaconversação em que alicie os motoristas economicamente de modo que este procedimento não conforme passe a conforme, de acordo com os requisitos da Qualidade.

Texto de Fernanda Correia(Aluna do Mestrado de Sociologia da Saúde - 2006) que foi corrigido por José Pinheiro Neves
……………………………………………..
Teste experimental

Imaginando que foi convidado a fazer uma avaliação do processo de introdução do "sistema de qualidade" a partir de uma visão construtivista técnico-social (teoria do actor-rede), tente responder às seguintes perguntas.


a) Será que existe um sistema de qualidade menos formalizado nos TUB? Desenvolva os seus argumentos tendo em conta, por um lado, os breves resumos das traduções dos actores e, por outro, a partir das noções de tradução e rede.

b) Será que o processo de implementação do SGQ nos TUB poderá ser considerado fracasso? Responda à luz do conceito de "rede sócio-técnica".

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Aula nº 4 (12 de janeiro de 2009)

Caso prático a ser analisado no teste:

http://neves.do.sapo.pt/Transp_Silvia_draft_15dez06v2.pdf

Aula sobre a metáfora do fluxo:

http://neves.do.sapo.pt/aulaMetaforaFluxo23_24Nov06.pdf

segunda-feira, janeiro 12, 2009

Teste e aulas de Janeiro de 2009

Teste de consulta - dia 28 de Janeiro 2009 - 13-15h na sala complexo 3. 301

Dia 19 - Preparação para o teste e apresentação dos TPs.

Dia 26 - preparação para o teste e entrega do trabalho prático. No entanto, poderão entregar o TP no dia do teste (28/01).

quarta-feira, dezembro 17, 2008

Aulas nº 3

Aula nº3 - Exemplos de investigações sobre redes (Teoria do actor-rede)


1. O exemplo da transferência da tecnologia (J. Law):

John Law, Traduction/Trahison: Notes on ANT, in


http://www.lancs.ac.uk/fass/sociology/papers/law-traduction-trahison.pdf

, Lancaster, Department of Sociology, 1997 (ver "Story one" pp. 2-4)
2. O exemplo do Automóvel Eléctrico (M. Callon):

Michel Callon, "El proceso de construcción de la sociedad. El estudio de la tecnología como herramienta para el análisis sociológico", in Miquel Doménech e Francisco Javier Tirado (comps.), Sociología simétrica. Ensayos sobre ciencia, tecnologia y sociedad, Barcelona, Gedisa Editorial, 1998, pp. 143-170



Texto complementar de Bruno Latour publicado na revista Configurações CICS Univ. Minho

http://www.scribd.com/doc/4414325/Bruno-Latour-

segunda-feira, dezembro 01, 2008

Trabalho Prático da 2ª Parte - inscrições

Ciência, Tecnologia e Inovação

Trabalho Prático da 2ª Parte


Inscrições

A constituição dos grupos (até 3 elementos) deverá ser antecedida por uma inscrição.

Por favor, enviem essa inscrição até o dia 15 de Dezembro para jpneves2007@gmail.com os vossos nomes e a indicação do tema que escolheram. Aguardem a confirmação pelo professor.

Bibliografia:

OLIVEIRA, Luísa (2008), Sociologia da Inovação, Celta Editora: Oeiras


O trabalho consiste na criação de um e-portfolio e da sua apresentação na aula no mês de Janeiro de 2009 (20 minutos). O prazo limite de entrega é o dia do teste da 2ª parte. Para criar o e-portfolio, podem utilizar este site:

http://www.wikispaces.com/

O e-portfolio permite o trabalho cooperativo em torno de um tema ou objectivo tal como acontece na Wikipedia. De certa forma, é uma Wikipedia em miniatura. Vejam este exemplo de e-portfolio de uma turma de estudantes da Austrália:

https://australian-history.wikispaces.com/

Temas dos trabalhos baseiam-se nos capítulos do livro anterior :

Tema 1 A visão da economia – Teoria da difusão (com uma pequena pesquisa na WEB sobre o tema) Capítulo 2
Tema 2 A visão sociológica da teoria do Actor Rede (com uma pequena pesquisa na WEB sobre o tema)
Capítulo 3
Tema 3 Um exemplo da rede de inovação (deve-se também falar da teoria que foi utilizada e fazer uma pequena pesquisa na WEB)
Capítulo 5
Tema 4 Um exemplo da rede de inovação (deve-se também falar da teoria que foi utilizada e fazer uma pequena pesquisa na WEB) Capítulo 6

Grupos de trabalho:

Grupo Membros Nº Mecanográfico












segunda-feira, novembro 17, 2008

Texto a discutir na aula de 24 de Novembro de 2008

"2B OR NOT TO BE DIGITAL"

de Hervé Fischer

Ver em:

http://www.hervefischer.net/text_en.php?idt=5

domingo, novembro 16, 2008

Resumo do trabalho de grupo de auto-diagnóstico na aula de 10 de Novembro de 2008 -Trabalho Prático nº1 - O que é a inovação?

Tecnologia, Ciência e Inovação

Trabalho Prático nº1


1. O que é para nós a Inovação?

A Inovação consiste na novidade/renovação, fazer algo que nunca foi feito. A Inovação normalmente surge associada à Tecnologia.

A Inovação tem os seus criadores e os seus receptores, que podem ser activos ou passivos. Melhor dizendo, diferentes formas de apropriação da Inovação. Depois há diferentes quadros de utilização da Inovação propriamente dita.

O processo de Inovação não é linear, ou seja, pressupõem-se que um produto de Inovação também obedece a uma espécie de lei oferta/procura. Na óptica dos utilizadores constatamos precisamente que nem sempre um produto da Inovação tem aceitação por parte dos sujeitos sociais. Um exemplo disso é a fraca adesão à compra de faixas de músicas online e persistir o hábito das pessoas comprarem o álbum inteiro ou até mesmo a versão em vinil.

Um exemplo prático à pergunta do que é a Inovação poderá ser a comunidade virtual “Hi5”. Começou com o intuito de possibilitar contactos entre pessoas conhecidas e desconhecidas. Deste modo, prevalece a ideia da sociabilidade, do ser em conjunto, de estar junto. No entanto, devido ao progressivo aumento do número de utilizadores (80 milhões) deixou de ser apenas uma comunidade com uma função societal, mas passou a ter também uma função lúdica.


Alunos:

Diana Miranda

Raquel Valente

Vânia Ribeiro

Resumo do trabalho de grupo de auto-diagnóstico na aula de 10 de Novembro de 2008

Resumo do trabalho de grupo na aula de 10 de Novembro de 2008

"O que é a Inovação?

Quando se fala em inovação, cria-se uma ideia de mudança, algo de novo e diferente do anterior.

A inovação destaca-se por um conjunto de transformações violentas, entre um nível anterior e superior, geralmente com inovações introduzidas isoladamente.

Um bom exemplo de inovação é o surgimento da máquina a vapor em plena era industrial, que veio transformar drasticamente todo o sistema produtivo produzido até então.

A máquina veio condicionar em certa medida a posição humana no trabalho.

Permitiu aumentar a produtividade, relegando em certa medida, o homem para funções de controlo, essencialmente.

Esta inovação deu origem a novas orientações de trabalho ditando as regras da produtividade (cadência de produção, tempo necessário à tarefa, etc).

Neste contexto de inovação, somos (em geral) actores passivos, que nos limitamos a receber e introduzir nas nossas práticas as inovações técnicas que vão surgindo, adaptando os nossos comportamentos aos novos produtos que vão surgindo".

Texto enviado por Sandra Costa

Texto de base para a aula de 17 de Novembro de 2008

"A Inovação parece uma daquelas palavras mágicas, carentes de definição precisa e que são defendidas por grupos sociais os mais diversos. De forma semelhante a outros conceitos importantes das Ciências Sociais, como globalização e desenvolvimento sustentável, é um termo extremamente polissêmico e consensual (MACIEL, 1997).

Nos países avançados, essa problemática adentrou na agenda de diferentes setores como governos, corporações, universidades, centros de pesquisa e movimentos sociais. Desde os anos 80, os países da OCDE vêm alterando o padrão de apoio à indústria, incorporando medidas que integram a política de comércio internacional com a industrial e tecnológica. Ao invés de subvencionarem empresas através de contratos de P&D específicos e pontuais, os governos desses países passaram a criar condições para que a atividade produtiva se organize de forma sistêmica e integrativa (CASSIOLATO & LASTRES, 2000).


(...)


Ocorre que o tema da inovação tem se mantido estreitamente ligado a preocupações de ordem econômica, como competitividade, pressões da demanda e investimento.Alguns autores têm chamado atenção para o desafio premente de se incluir variáveis socioculturais nas avaliações e estudos sobre a implementação da inovação em contextos locais e nacionais (FLICHY, 1995; MACIEL, 1997).


As Ciências Sociais não estão inseridas tão fortemente nessa agenda de pesquisa, em comparação com a Economia e as Ciências Organizacionais. Desde seus fundadores, os cientistas sociais muitas vezes se ocuparam da problemática tecnológica, mas muitas vezes esquivando-se de debater o fenômeno técnico em si mesmo e a questão da inovação (FEENBERG, 1991).


Mais recentemente, os teóricos do risco social apontaram a crise das certezas do mundo contemporâneo, em que a contingência e a instabilidade das práticas tecnológicas repercutem diretamente na sociabilidade. O princípio de precaução e a desconfiança no desenvolvimento tecnológico vem adquirindo proeminência no pensamento social contemporâneo (BRUESEKE, 2002).


Nesse contexto de preocupações, desenvolveu-se uma ampla desconfiança em relações às promessas da inovação. A área ambiental é exatamente um exemplo de esfera que tem encontrado dificuldades em incorporar essa questão. A dimensão do risco social e a crítica às incertezas da modernidade impedem que a lógica da inovação interfira nos rumos do debate da sustentabilidade, fortemente marcado por uma desconfiança aos avanços tecnológicos.
[...]
O CONCEITO DE INOVAÇÃO TECNOLÓGICA

É possível apontar duas grandes tendências que se propuseram a compreender a questão da inovação no mundo contemporâneo: as correntes econômicas derivadas do pensamento schumpeteriano, e a sociologia construtivista das técnicas desenvolvida principalmente por Bruno Latour, que criou espaço para a incorporação da temática nas Ciências Sociais.

A disciplina econômica foi a que sem dúvida deu o maior impulso à construção da agenda da inovação. As elaborações de Joseph Schumpeter no início do século XX tiveram um impacto considerável no debate sobre transformações tecnológicas e desenvolvimento econômico. Segundo ele, os investimentos nas novas combinações de produtos e processos produtivos de uma empresa repercutem diretamente em seu desempenho financeiro, de modo que o moderno empresário capitalista deve ocupar ao mesmo tempo um papel de liderança econômica e tecnológica. O comportamento empreendedor, com a introdução e ampliação de inovações tecnológicas e organizacionais nas empresas, constitui um fator essencial para as transformações na esfera econômica e seu desenvolvimento no longo prazo (SCHUMPETER, 1982).

Na esteira das elaborações de Schumpeter, há algumas décadas o termo inovação foi cunhado no âmbito da OCDE com vistas a promover uma interação mais efetiva entre o setor produtivo e as áreas de pesquisa e conhecimento. Isso ocorreu no momento em que a abertura de mercados e o aumento da competitividade internacional incitaram empresas e governos a estabelecerem sinergias envolvendo pesquisa tecnológica e política industrial, para a manutenção das taxas de crescimento econômico.

O economista Christopher Freeman, considerado um autor neo-schumpeteriano, foi o responsável pelo estabelecimento do conceito em sua versão atual. Desde os anos 60, a discussão sobre inovação surge e se desenvolve com um claro perfil econômico e corporativo, sendo vista como condição para que empresas e governos tenham um bom desempenho na economia internacional frente às oscilações de mercado e ameaças da concorrência. (Ver FREEMAN, 1992; 1982).

Essa perspectiva de análise levou à formulação de diversos modelos de inovação e projeções macroeconômicas. O cruzamento de informações sobre patenteamento de produtos e investimentos públicos e privados na área tecnológica permitiu a elaboração de fórmulas para se avaliar os efeitos do mercado sobre as práticas de inovação, a célebre problemática da indução pela demanda.

Segundo Flichy (1995), um sério problema metodológico persegue as teorias econômicas que procuraram estabelecer as relações entre pressão da demanda, oferta tecnológica e inovação. Elas propiciam modelos e fazem cruzar determinadas variáveis, mas não lograram explicar como os processos inovativos aparecem e se desenvolvem. As relações exógenas entre ciência e tecnologia e os modelos mecânicos de interferência da demanda sobre a atividade tecnológica mostraram-se insuficientes para esclarecer porque determinadas inovações tiveram êxito e outras não.

A partir dos anos 80, os economistas passaram a mudar o enfoque de análise. Com a globalização da economia e a flexibilização dos formatos organizacionais envolvendo empresas, agências estatais e centros de pesquisa, a formação e desenvolvimento de redes passa a ser um tema central dos pesquisadores sobre inovação (FREEMAN, 1992).

Nesse contexto, em que a estrutura organizacional assentada nos fluxos de informação passa a ser mais essencial que os próprios produtos desenvolvidos a partir das atividades tecnológicas, estabelece-se um novo conceito, o de sistemas nacionais de inovação. As interações entre os agentes econômicos, as instituições de pesquisa e organismos governamentais estipulam ações recíprocas que geram a capacidade de desenvolvimento de condições de inovação. Políticas locais e setorizadas passam a ser imprescindíveis para a compreensão do potencial inovativo de uma nação e região, independentemente da atividade específica de cada setor e das oscilações da demanda (CASSIOLATO & LASTRES, 2000).

A interação das firmas com e no sistema passa a adquirir significado estratégico. Essas capacidades, que anteriormente eram consideradas como que mais puramente administrativas ou gerenciais, são consideradas no período atual como parâmetros de inovação (LEMOS, 2000; TRIGUEIRO, 2002)."

Thales de Andrade, "Inovação tecnológica e meio ambiente: dando um passo acima", in http://www.anppas.org.br/encontro_anual/encontro2/GT/GT01/thales.pdf
[Consultado em 20 de Setembro de 2008]

Programa e formas de avaliação da UC de Ciência, Tecnologia e Inovação - 1º ciclo do curso de Sociologia, Universidade do Minho 2008/09

Programa e formas de avaliação da UC de Ciência, Tecnologia e Inovação - 1º ciclo do curso de Sociologia, Universidade do Minho 2008/09

http://neves.do.sapo.pt/Cien_Tecn_Inov/Programa_UC_TecCiencInov_ER_NEV_08_09.pdf



Aula de 17 de Novembro - O que é a inovação? A perpectiva de um economista brasileiro: Ary Plonsky

Encontrei uma conferência de um economista brasileiro, no youtube, sobre o conceito de inovação.

"O Prof.Dr. Ary Plonsky fala sobre uma nova divisão social do trabalho de inovação, fruto de uma combinação de vários fatores tais como:
* uma nova geografia da inovação - que inclui países específicos com grande capacidade de gerar empresas e relações -,
* uma motivação mais abrangente do que o simples retorno financeiro – isso inclui o desenvolvimento de tecnologias em benefício do planeta –
* e o aumento do número de atores envolvidos no campo da inovação."

Ver no youtube:
http://www.youtube.com/watch?v=UJ6pFJbCWbY&feature=related


quinta-feira, setembro 18, 2008

A propósito de Gilbert Simondon: a tendência estética, como herança mágica, entre o técnico e o religioso

A propósito de Gilbert Simondon: a tendência estética, como herança mágica, entre o técnico e o religioso
José Pinheiro Neves (Universidade do Minho)

Comparar os modos de pensamento só é possível se eles se situarem no mesmo plano; torna-se também necessário entendê-los numa articulação emparelhada, visto que são sempre o desdobramento do pensamento unitário primitivo.
Neste contexto, o pensamento estético pode ser definido mais como uma tendência do que como uma espécie. "O pensamento estético é o que mantém a recordação implícita da unidade; (…) este modo procura atingir a totalidade do pensamento e recompor uma unidade através duma relação analógica".
Ao ser visto como uma tendência, o pensamento estético não se reduz ao esteticismo nem muito menos ao mundo das obras de arte. Pelo contrário, "a obra de arte fazendo parte de uma civilização utiliza a impressão estética e satisfaz, talvez artificialmente e de maneira ilusória, a tendência do homem para procurar, quando exerce um certo tipo de pensamento, o complemento em relação à totalidade. (…) Mas a obra de arte não reconstroi realmente o universo mágico primitivo: este universo estético é parcial, inserido e contido no universo real e actual proveniente do desdobramento. De facto, a obra de arte sobretudo mantém (e preserva) a capacidade de experimentar a impressão estética, tal como a linguagem permite a capacidade de pensar, sem no entanto ser o pensamento". O que caracteriza a impressão estética é acima de tudo a perfeição do acabamento que lhe confere uma dimensão universal, passando a constituir um equivalente da totalidade mágica.
Desta forma, a estética como tendência pode atravessar uma obra técnica ou uma obra religiosa. "o carácter estético dum acto ou duma coisa é a sua função de totalidade, a sua existência simultaneamente objectiva e subjectiva, como ponto remarcável. Todos os actos, todas as coisas, todos os momentos possuem uma capacidade de se transformarem em pontos remarcáveis de uma nova reticulação do universo.
Cada cultura selecciona alguns dos actos e algumas das situações que estão aptas e transformar-se em pontos remarcáveis; mas não é a cultura que cria a aptidão de uma situação para se tornar um ponto remarcável; a cultura coloca barreiras a certos tipos de situação, deixando à expressão estética apenas algumas vias estreitas em comparação com a espontaneidade da impressão estética; a cultura intrevém mais como limite do que como criadora".
A tendência das técnicas, após terem isolado as figuras do mundo mágico, é a de retornar para o mundo criando uma nova reticulação em que privilegia certos lugares numa lógica híbrida de esquemas técnicos e poderes naturais. É nesse momento de reunião que aparece a impressão estética. Também o pensamento religioso, quando se aproxima de cada cultura e de cada grupo humano, tende a criar uma unidade de rede. A impressão estética, comum ao pensamento religioso e ao pensamento técncio, é a única ponte que permite ligar estas duas metades do pensamento resultantes do abandono do pensamento mágico".
Vejamos então quais são as características do pensamento estético que lhe permite esta articulação, este voltar à unidade.
Em primeiro lugar, a actividade estética perserva a estrutura inicial de rede, de pontos-chave, tanto no pensamento técnico como no pensamento religioso.
Em segundo lugar, "o pensamento estético, situando-se no intervalo entre a subjectivção religiosa e a objectivação técnica, limita-se a concretizar as qualidades de fundo através das estruturas técnicas".
Terceiro, não podemos situar a realidade estética nem no objecto nem no sujeito, visto que ela se poderá transformar "na organização intencional duma realidade natural" ou continuar ligada ao homem, ao sujeito, sendo "uma modulação da voz, uma mudança no discurso, uma maneira de se vestir".
Por último, o que a define é fundamentalmente a inserção e não a imitação.
Numa palavra, podemos afirmar que "a arte é o que estabelece a transductividade dos diferentes modos de pensamentos entre si; a arte é aquilo que no modo continua a ser não-modal, como se em torno do indivíduo restasse uma realidade pré-individual associada a ele permitindo-lhe a comunicação na instituição do colectivo".

José Pinheiro Neves

Baseado e com excertos do livro de Gilbert Simondon, Du mode d'existence des objects techniques, Paris, Aubier, 1989